ONU inicia nova missão para estabilizar o Haiti
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terça-feira, 01 de junho de 2004
France Presse 
Porto Príncipe - A ONU lançou ontem em Porto Príncipe uma nova operação militar e civil na turbulenta e pequena república do Haiti para tentar devolver a estabilidade ao país, mobilizando 6.700 capacetes azuis e 1.622 policiais civis sob comando brasileiro.
Durante ato simbólico na Academia de Polícia, os Estados Unidos, que comandavam a força multinacional desde fevereiro, após a queda do presidente Jean Bertrand Aristide, entregaram sua autoridade à Missão de Estabilização das Nações Unidas (Minustha, na sigla em francês).
''O trabalho será muito difícil, mas estamos aqui para vencer as situações difíceis'', confiou à France Presse o comandante brasileiro, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira.
Depois da leitura da mensagem de apoio do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e do hasteamento da bandeira da organização, um contingente chileno que fazia parte da força de segurança e que ficará na Minustha trocou suas boinas pelos capacetes azuis das Nações Unidas.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou em 29 de fevereiro passado uma resolução autorizando o envio imediato da força internacional ao Haiti até a chegada dos capacetes azuis.
A cerimônia foi realizada na presença do presidente interino do Haiti, Alexandre Boniface, e do primeiro-ministro, Gérard Latortue. Embora a nova missão tenha sido anunciada ontem, os soldados devem começar a operar mais tarde, até o fim de junho. ''Esta é uma transferência de autoridade, não de responsabilidades'', esclareceu o porta-voz da Minustha, Toussaint Kongo-Doudou.
Alguns militares americanos e franceses já estão deixando o Haiti e os capacetes azuis chegarão paulatinamente nas próximas semanas. A Minustha será composta por militares de 14 países, além dos policiais civis de 23 nações.
A ONU garante ter aprendido a lição de suas últimas missões estéreis no Haiti entre 1995 e 2000. ''O país vai ser dividido em sete setores e a ONU terá dez escritórios regionais espalhados pelo território'', explicou o porta-voz. ''Além do aspecto militar, a missão terá um aspecto civil e uma parte de reconstrução'', incluindo o desarmamento e a desmobilização dos rebeldes que forçaram a saída de Aristide e sua reinserção na sociedade.
Diferente da última missão, a Minustha atuará sob o Capítulo Sete da Carta das Nações Unidas, que permite o recurso da força para aplicar seu mandato. O componente da polícia civil incluirá 872 conselheiros para formar os policiais haitianos.


