ONU inicia missão em território palestino
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domingo, 11 de fevereiro de 2001
France Presse De Gaza 
A ONU iniciou ontem sua investigação sobre a violação dos direitos humanos por parte de Israel nos territórios palestinos, reunindo-se com responsáveis na Faixa de Gaza.
A comissão realizará uma investigação profunda, disse aos jornalistas o professor sul-africano John Dugard, precisando que os membros desse organismo discutiram com responsáveis palestinos para ter uma idéia da situação em matéria de segurança e economia.
Ontem um israelense morreu a tiro na região da colônia judaica de Gilo. O israelense de 35 anos, cuja identidade não foi revelada, recebeu um tiro na cabeça. Ele circulava num carro pela estrada próxima à colônia judaica de Gilo, no momento em que a colônia era alvo de disparos palestinos provenientes de Beit Jala. Ele perdeu o controle de seu carro, que capotou, e foi levado gravemente ferido ao hospital, mas não resistiu. Com esta morte, sobe para 398 o número de vítimas fatais desde o início da Intifada, no dia 28 de setembro: 331 palestinos, 13 árabes-israelenses, 53 israelenses e um alemão.
Os três membros da comissão da ONU reuniram-se com o ministro da Justiça da Autoridade Palestina, Freih Abu Meddein; o chefe da segurança pública na Faixa de Gaza, Abdelrazek al Majaida; e o diretor-geral do Ministério de Cooperação Internacional, Alí Chaath. Explicamos à comissão que o verdadeiro problema é que Israel se acha acima da lei e protegido pelos Estados Unidos na guerra que trava conosco, indicou Meddein.
Formada por Dugard, o professor americano Richard Falk e o chanceler de Bangladesh, Kamal Hussein, a comisão percorrerá Gaza, Jerusalém, Ramallah, Belém e Beit Jala. A missão terminará no próximo dia 18, tendo reunido informações sobre as violações cometidas pela potência ocupante israelense desde o início da nova Intifada (rebelião palestina), no último dia 28 de setembro.
As autoridades israelenses se negam a colaborar com a missão, que, segundo Israel, teria afirmado que o Estado hebreu comete crimes de guerra nos territórios ocupados.
Os árabes querem que o primeiro-ministro eleito de Israel, Ariel Sharon, siga em frente com as conquistas obtidas por seu antecessor e negocie a devolução de um território conquistado em guerra em troca da paz com Síria, Líbano e o povo palestino, declarou ontem o ministro egípcio das Relações Exteriores.
No encerramento do segundo dia da reunião de chanceleres árabes, em Amã, Amr Moussa afirmou que o grupo desenvolveu uma estratégia para seguir em frente com o processo de paz, com o desenvolvimento dos territórios palestinos e com o que está acontecendo em Israel.
Ontem, uma bomba explodiu quando um jipe do Exército israelense passava pelas proximidades do assentamento judaico de Kfar Darom, na Faixa de Gaza. Não há informações sobre vítimas. Um grupo até então desconhecido, auto-denominado Brigada da Resistência Nacional Palestina, assumiu a autoria do atentado.


