São Paulo - Uma comissão da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) iniciou ontem inspeções em várias instalações nucleares do Irã, conforme informações divulgadas pela rádio pública iraniana.
Segundo a emissora, a delegação de inspetores da Aiea, que chegou na noite de sexta a Teerã, deve visitar as instalações nucleares de Isfahan e um reator de pesquisa na capital do Irã. Recente relatório da Aiea informa que o país produziu 85 toneladas de gás UF6 em Isfahan desde setembro de 2005, o que seria suficiente para várias bombas atômicas se o Irã conseguir desenvolver toda a tecnologia de enriquecimento.
Estados Unidos acusam o Irã de usar seu programa nuclear para desenvolver armas. O Irã nega de forma veemente e alega que suas pesquisas e atividades têm apenas fins pacíficos.
Sexta-feira, a União Européia (UE) disse estar disposta a ajudar o Irã a construir vários reatores nucleares de água leve e estabelecer uma reserva de combustível nuclear de cinco anos se Teerã aceitar suspender o enriquecimento de urânio.
A proposta de Reino Unido, França e Alemanha também estabelece que o Ocidente está disposto a trabalhar em favor de garantias no golfo Pérsico pela ''integridade territorial e pela soberania política''.
O pré-projeto prevê também uma gama de 15 sanções para que o Conselho de Segurança (CS) da ONU possa selecionar em caso de o Irã rechaçar esta proposta.
Reino Unido, França e Alemanha devem se reunir na próxima quarta-feira, em Londres, com autoridades americanas, russas e chinesas para discutir os termos do pacote de incentivos para Teerã, informaram diplomatas europeus.
Os cinco países-membros do Conselho de Segurança da ONU com poder de veto (EUA, França, Reino Unido, China e Rússia) e a Alemanha têm mantido discussões para chegar a um acordo que force o Irã a interromper suas atividades nucleares.
EUA, França, Reino Unido e Alemanha concordam em impor sanções ao país, como punição ao descumprimento das exigências da AIEA. EUA vão além, e ameaçam uma intervenção militar. Rússia e China os dois principais parceiros econômicos do Irã rechaçam qualquer ataque ao território iraniano e pregam a via diplomática como único meio para resolver a questão.
Amanhã, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, inicia uma viagem pelo golfo Pérsico, com passagem por Arábia Saudita, Kuait e Qatar, e na qual vai discutir a crise nuclear do Irã e a situação nos territórios palestinos.
Lavrov vai pedir apoio à iniciativa de Moscou, que recusa a adoção de sanções contra Teerã no Conselho de Segurança da ONU, disse o porta-voz da Chancelaria russa, Mikhail Kaminin, à agência Interfax.
A Rússia vai tentar formar uma frente comum com os países da região. O objetivo é evitar o uso da força contra o Irã, e ao mesmo tempo insistir na necessidade da suspensão de atividades de enriquecimento de urânio por parte dos iranianos.
Lavrov também vai apresentar a intenção russa de oferecer assistência financeira adicional à Autoridade Nacional Palestina (ANP).

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