A Organização das Nações Unidas (ONU) propôs ontem aos delegados afegãos reunidos na conferência de Bonn a criação de uma autoridade interina, que governaria o país durante seis meses, até a realização de uma ''Loya Jirga'', cuja inauguração seria conduzida ''simbolicamente'' pelo ex-rei Zahir Sha.

Em coletiva de imprensa, Ahmad Fawzi, porta-voz do representante especial da ONU para o Afeganistão, Lajdar Brahimi, declarou que a ONU submeteu aos 28 delegados um projeto de acordo de sete páginas, que inclui a formação de uma autoridade interina, formada por 20 a 30 pessoas, que governaria o país durante seis meses.

As Nações Unidas também propuseram a criação de um Tribunal Supremo e de uma comissão especial e independente, de 21 membros, cujo objetivo seria organizar a ''Loya Jirga'' urgente. Esta assembléia então nomearia um governo de transição que dirigiria o país durante dois anos.

O porta-voz precisou que o representante especial da ONU para o Afeganistão, Lajdar Brahimi, reuniu no documento as idéias que ouviu durante suas entrevistas com as delegações. O enviado especial dos Estados Unidos, James Dobbins, disse que o texto da ONU era um passo importante para um acordo final.

Fawzi reconheceu que as quatro delegações ainda não entregaram suas respectivas listas com os nomes para a a autoridade interina. O porta-voz disse esperar ''ter um texto limpo talvez amanhã (hoje) pela manhã'', apesar de uma fonte diplomática ocidental afirmar que um acordo não será obtido antes da próxima quarta-feira.

As divisões internas na Aliança do Norte dificultaram nos últimos dias as negociações, e seu líder em Bonn, Yunis Qanuni, chegou a ameaçar a concluir um acordo mesmo sem a aprovação do presidente Burhanuddin Rabbani, que se encontra em Cabul. Para salvar a situação, a ONU desistiu da idéia de criar um Conselho Nacional com 120 a 200 membros.

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