ONU faz debate público sobre o Iraque
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sábado, 12 de outubro de 2002
France Presse 
Nova York - O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutirá publicamente esta semana a questão iraquiana, que divide seus membros permanentes, uma vez que a Rússia e a França rejeitam o uso da força pedido pelos Estados Unidos.
O debate sobre o Iraque, pedido pelo grupo de países não-alinhados, acontecerá na próxima quarta-feira, anunciou anteontem o embaixador de Camarões, Martin Belinga Eboutou, que ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança.
A reunião será realizada quando são intensificadas as negociações, principalmente entre os membros permanentes do Conselho, para tentar elaborar um projeto de resolução sobre o desarmamento do Iraque capaz de obter um amplo consenso.
Vários jornais populares ingleses destacaram ontem que o primeiro-ministro Tony Blair sofreu um ''desprezo humilhante'' durante sua visita a Moscou para tentar convencer o presidente russo Vladimir Putin a apoiar uma resolução da ONU que ameace o Iraque com o uso da força.
Putin concordou com Blair que era preciso adotar uma resolução mais dura sobre as inspeções destinadas a comprovar o desarmamento do Iraque, mas negou que o texto autorize a recorrer automaticamente à força.
O debate sobre a legitimidade de uma intervenção militar no Iraque sofreu uma guinada com a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao ex-presidente americano Jimmy Carter. O presidente do Comitê Nobel, Gunnar Berge, declarou que esta escolha podia ser interpreta como uma crítica à política americana em relação ao Iraque.
Guerra santa - Aproximadamente 450 clérigos e religiosos pediram ontem que os muçulmanos declarem uma ''Jihad'' (guerra santa) contra os Estados Unidos se o Iraque for atacado.
''Se a agressão, que Alá não queira, for empreendida contra o Iraque, então a Jihad será dever de todo muçulmano que for capaz de lutar com suas mãos ou com seu dinheiro'', disseram em uma fátua (decreto religioso) os membros da Organização da Conferência Popular Islâmica, que reúne clérigos muçulmanos de diferentes países.
A fátua foi emitida dois dias depois de o presidente George W. Bush ter conseguido o apoio do Congresso para um ataque contra o regime de Bagdá, que, segundo o Governo americano, possui armas de destruição em massa.


