A ONU, capitais ocidentais e do Oriente Médio, congregações religiosas e organizações de direitos humanos, apelaram ontem para o cessar da escalada da violência entre israelenses e palestinos, que começou há dez dias, depois da visita do líder do Likud, Ariel Sharon, a Esplanada das Mesquitas.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse estar ‘‘alarmado’’ com a crise no Oriente Médio e pediu moderação a todas as partes, para controlar seus partidários e respeitar os lugares santos.
Annan disse que estava ‘‘sumamente consciente dos perigos de uma maior deterioração’’ da situação e que mantinha ‘‘intensos contatos com os dirigentes da região’’.
Com a sua presença, o Conselho de Segurança aprovou na noite de sábado uma resolução condenando ‘‘o uso excessivo da força’’ por parte de Israel contra os palestinos. Os Estados Unidos se abstiveram.
A resolução ‘‘condena os atos de violência, em especial o recurso excessivo à força contra os palestinos, que deixou feridos e perdas de vidas humanas’’.
O texto foi aprovado por 14 votos contra zero. O Conselho de Segurança tem 15 membros, dos quais cinco permanentes: Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e Rússia, com direito a veto.
Os Estados Unidos consideraram que a resolução era ‘‘demasiado partidária’’ e se declararam ‘‘muito, muito preocupados com a situação no Oriente Médio’’, e que querem ‘‘evitar uma escalada’’, segundo o porta-voz da Casa Branca P.J. Crowley.
Em Washington, a secretária de Estado Madeleine Albright justificou ontem a abstenção dos Estados Unidos na votação do Conselho de Segurança, por causa da necessidade de seu país se manter como uma mediador de paz honesto com o Oriente Médio.
Hillary Clinton, candidata a uma vaga no Senado pelo Estado de Nova York, que tem grande e influente comunidade judaica, condenou a decisão dos Estados Unidos de não usarem seu direito de veto.
‘‘Acho que deveríamos fazer uso de nosso direito de veto’’, afirmou. ‘‘Acho que foi um erro não fazer isso. Estou muito decepcionada. Para mim a responsabilidade (da situação em Israel e nos territórios) repousa claramente nas costas do presidente (da autoridade palestina Yasser) Arafat’’.
Em Gaza, na Cisjordânia, a Autoridade Palestina se felicitou ontem com a resolução da ONU. ‘‘A condenação da agressão foi total, pois os Estados Unidos não se atreveram a recorrer ao veto e limitaram-se a abster-se’’, disse à AFP Nabil Abu Rudeina, conselheiro do presidente palestino Yasser Arafat.
A França, que exerce a presidência de turno da União Européia, (UE), estimou na quinta-feira que israelenses e palestinos deveriam começar ‘‘sem demora’’ a fazer gestos para frear a escalada da violência, e que devem ser ‘‘reiniciadas também sem demora discussões de fundo’’ sobre as negociações de paz.
Disse que o premier israelense, Ehud Barak, e o presidente palestino, Yasser Arafat, têm ‘‘responsabilidades históricas’’ para por fim à violência.
A Grã-Bretanha pediu ontem que Israel reconsiderasse o nível de violência mobilizado por seu exército contra os palestinos.
Também ontem, o presidente russo, Vladimir Putin, falou por telefone com seu colega sírio, Bachar al Assad, sobre a situação no Oriente Médio.
O chanceler russo, Igor Ivanov, era esperado ontem à noite em Damasco para falar sobre a tensão na região, anunciou na capital síria a agência oficial SANA. Esta decisão foi adotada pelo presidente Putin, depois de um telefonema ao presidente sírio.
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, fez um apelo à moderação nas reações dos países árabes, distanciando-se assim do líder líbio, Muammar Kadhafi, e do presidente iemenita, Alí Abdalá Saleh.
‘‘Declarar guerra não é simples assim. Estamos em uma situação grave que requer uma reação sábia’’, disse à imprensa.
Às vésperas do Yom Kipur (Dia do Perdão, celebrado ontem), nossa ‘‘mensagem é uma mensagem de paz’’, instando à reconciliação, disse o grande rabino da França, Joseph Sitruk, reunido com o presidente francês Jacques Chirac.
No Marrocos, centenas de milhares de pessoas manifestaram seu apoio aos palestinos, e denunciaram a ‘‘guerra de extermínio’’ feita por Israel, pode constatar um correspondente da AFP.
No Cairo e arredores, milhares de estudantes manifestaram também seu apoio aos palestinos, segundo a polícia.
A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu ao Conselho de Segurança da ONU que inicie uma investigação independente sobre as violações dos direitos humanos cometidas durante os enfrentamentos entre israelenses e palestinos.

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