O crime organizado recicla US$ 300 milhões por dia provenientes de tráficos ilegais. Só a renda obtida, anualmente, com o tráfico de drogas é equivalente a US$ 400 bilhões, ou seja, 8% da renda total do comércio internacional. Estas são algumas das cifras divulgadas sexta-feira durante o encontro internacional organizado pelas Nações Unidas e pelo Senado italiano para tratar do crime organizado internacional.
A organização do encontro divulgou dados atualizados de 1997 sobre o tráfico de drogas. Com relação à produção de cocaína, por exemplo, são 800 toneladas provenientes de um cultivo de cerca de 179 mil hectares principalmente no Peru, Colômbia e Bolívia.
As informações distribuídas pela Organização das Nações Unidas (ONU) registram uma diminuição da produção no Peru e na Bolívia e um aumento na produção colombiana.
O evento, que se realizou em Roma, sexta-feira e ontem, tem o objetivo de recolher as contribuições dos estados membros para a elaboração de uma convenção da ONU contra o crime organizado que deverá ser assinada no ano que vem.
A intenção é estimular a cooperação entre os vários países e buscar a harmonização em termos de legislações, além de promover uma legislação interna mais eficaz.
Os participantes do encontro sublinham a importância de se criar instrumentos efetivos que permitam uma estratégia de combate à criminalidade que ultrapassa as fronteiras de cada nação.
Segundo o italiano Pino Arlacchi, vice-secretário-geral das Nações Unidas e diretor do programa da ONU para o controle das drogas, ‘‘o crime organizado ameaça o mundo de modo cada vez mais eficaz’’.
Imitando as atividades legais, esses grupos chegaram a formar verdadeiras multinacionais que traficam clandestinos, mulheres e crianças para prostituição e fazem contrabando de armas. ‘‘Eles corrompem a polícia, juízes, políticos e homens de negócios, extorquem dinheiro e matam’’, denuncia Arlachi.
Sanções eficazes como confisco de bens provenientes das atividades ilícitas devem ser introduzidas nas legislações de cada país, na opinião do vice-secretário-geral das Nações Unidas.
‘‘Enfrentar a questão das extradições e a proteção dos colaboradores de justiça, além de obter a transparência do sistema financeiro internacional com a quebra do sigilo bancário para todas as investigações criminais também são nossos objetivos’’, explicou.

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