Nova York- O mundo terá tempo de reduzir para a metade a extrema pobreza até o ano de 2015, como se comprometeu a fazer em 2000, se levar a sério a tarefa e solucionar o problema causado pela falta de recursos, anuncia um documento elaborado por especialistas publicado ontem.
Um grupo independente formado por 265 consultores internacionais para o chamado ''Projeto do Milênio'', oferece uma série de propostas concretas para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) assinados pela comunidade internacional em uma reunião das Nações Unidas. Esta tarefa foi encomendada em 2002 pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao grupo dirigido por Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia.
O próprio Annan terá este documento como base para a apresentação, em março, de um comunicado aos Estados membros com suas recomendações, antes da reunião do G-8 em julho e da cúpula mundial de setembro, em Nova York, que marcará os 70 anos da ONU. Para a Organização das Nações Unidas, 2005 é um ano crucial para a concretização desses objetivos. Transcorridos um terço do prazo fixado, alguns países, sobretudo na Ásia, estão a caminho de alcançar a meta, mas muitos, especialmente na África subsaariana, estão distantes. ''Reduzir para a metade a extrema pobreza até 2015 se tornou mais difícil porque se perdeu um tempo precioso nos primeiros anos'', declarou à imprensa Mark Malloch Brown, administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e novo chefe de gabinete de Annan.
''Porém, com a mobilização adequada dos recursos, com vontade política e as reformas tanto nos países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, alcançar este objetivo ainda é factível'', acrescentou. ''Somente honrando os compromissos já adotados por ambas as partes: bons governos, financiamento adequado, livre intercâmbio, acesso global à Ciência e à tecnologia, é que poderemos pôr fim à extrema pobreza neste planeta daqui a uma geração (2025) e certamente reduzi-la para a metade até 2015'', afirmou Sachs.
Para que esta meta seja alcançada, os especialistas afirmam que bastaria um investimento de 0,54% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países desenvolvidos, cifra inferior à que se comprometeram na Cúpula de Monterrey para o financiamento do desenvolvimento em 2002, quando concordaram em dedicar 0,7% de seu PIB para a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD).
Por enquanto, a APD dos países ricos tem sido muito menor: 0,25% do PIB em média, como foi registrado no ano de 2003. ''A resposta muito generosa da comunidade mundial ao desastre causado pelas tsunamis no Oceano Índico mostrou que os cidadãos comuns dos países ricos aprovam a ajuda aos pobres, se entenderem claramente suas necessidades e estiverem certos de que o dinheiro oferecido chegará ao seu destino e realmente ajudará a quem necessita'', estima o comunicado.

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