O fantasma da bancarrota ronda a 52ª sessão da Assembléia Geral da ONU, que se inicia hoje e estará centrada na reforma da instituição e na ampliação do Conselho de Segurança.
A questão das finanças colocará os Estados Unidos no banco dos réus nesta 52ª reunião de dirigentes do planeta, devido aos atrasos no pagamento de suas contribuições para as Nações Unidas, que chegam a 1,5 bilhão de dólares.
‘‘O tema mais decepcionante e mais inconcluso da 51ª sessão foi o estancamento no pagamento das contribuições atrasadas’’, reconheceu ontem o presidente da Assembléia Geral, o malásio Razali Ismail, em seu discurso de encerramento da Assembléia, que presidiu por um ano.
Razili destacou também o fracasso no ‘‘restabelecimento da estabilidade fiscal da Organização’’.
Washington se comprometeu a pagar 900 milhões de dólares, mas o Congresso, controlado pelos republicanos, exige que a ONU realize antes o corte de seu orçamento e de sua lista de funcionários.
‘‘Não há razões para se chegar a um acordo especial com o país mais poderoso do mundo em relação ao que deve pagar, o que é parte de sua obrigação legal. Não acredito que nenhum país vá recolher a fatura’’, disse Razali em uma entrevista coletiva depois de seu discurso ante a Assembléia.
Os Estados Unidos - principais contribuintes, com uma cota de 25% - vinculam o pagamento de sua dívida a uma redução imediata da parte de sua cota no barômetro de contribuições, a 22% e logo a 20% no ano 2000 para refletir melhor sobre os novos equilíbrios e o peso das potências econômicas emergentes, como a China e os tigres asiáticos.
A impaciência em relação a Washington ameaça aumentar nesta próxima sessão, onde se prevê que muitos dos chefes de Estado ou ministros que intervenham ante a Assembléia lançarão pedidos aos Estados Unidos para que paguem sua dívida com a ONU, sem tentar impor condições.
‘‘Os Estados Unidos devem pagar, já não podem continuar chantageando como têm feito, forçando a saída de Butros Butros Ghali (o ex-secretário geral da ONU)’’, opinou nos corredores da ONU um diplomata latino-americano.
Inclusive alguns diplomatas afirmaram que um dia não vai restar à ONU outra alternativa que ‘‘se declarar em falência’’.
Mas, os Estados Unidos não são os únicos devedores e uma centena de países devem 1,3 bilhão de dólares em pagamentos atrasados à instituição.
Outro tema que poderá envenenar as discussões desta sessão é o da ampliação do Conselho de Segurança, que provocou atritos em várias regiões do hemisfério sul e que levou a diferenças abertas entre a Argentina e o Brasil.
‘‘Ainda não há acordo sobre o número de membros permanentes do Conselho, nem sobre o direito de veto’’, reconheceu Razali.
Há alguns dias, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que ‘‘certamente haverá discussões duras’’ sobre este ponto. ‘‘Espero que estas não venham envenenar o debate sobre meu pacote de reformas’’, disse.

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