São Paulo - O número de refugiados no mundo é o mais baixo desde 1980, segundo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados divulgado ontem. São 8,4 milhões de pessoas. Aumentou, no entanto, a quantidade de deslocados internos pessoas que são obrigadas a fugir de suas casas por causa de conflitos armados ou por outras situações de violência, mas permanecem em seus próprios países.
No final de 2005, quando os dados foram recolhidos, eram 6,6 milhões de deslocados internos, 800 mil a mais do que o registrado em 2004.
A Colômbia é o país que tem o maior número de pessoas nessa situação são 2 milhões, quase um terço do total de deslocados internos reconhecidos pela ONU em todo o mundo.
''O aumento de deslocados internos tem muito a ver com o endurecimento das fronteiras depois de 11 de Setembro, que diminuiu o número de reconhecimento de refugiados. Os trâmites ficaram mais complicados'', diz o representante da Acnur no Brasil, Luis Varese.
Houve diminuição de deslocados internos na Rússia, na Libéria e nos países balcânicos, mas ''ainda há milhões vivendo como refugiados dentro de suas próprias fronteiras'', declarou o alto comissário António Guterres, citando como exemplo a região sudanesa de Darfur, Uganda e a República Democrática do Congo (ex-Zaire).
Na América do Sul, o crescimento ocorreu sobretudo na Venezuela, onde o número, segundo a ONU, saltou de pouco mais de 26 mil para 200 mil pessoas de interesse.
Além disso, houve a inclusão do registro de colombianos no Equador, hoje cerca de 250 mil.
Grandes repatriações, ocorridas em países como Somália, Afeganistão, Angola e Libéria, contribuíram para a queda no total de refugiados. Ao todo, 1,1 milhão de pessoas retornaram a seus países de origem no ano passado.
O Afeganistão é a principal origem de refugiados registrados pelo Acnur: ainda há 1,9 milhão fora do país, espalhados por 72 outras nações. Mas quase 7 milhões já retornaram, em um processo que vem desde o fim do regime Taleban.

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