Viena - A Organização das Nações Unidas divulgou um relatório esta sexta-feira em Viena no qual afirma que 185 milhões de pessoas em todo o planeta consumiram entorpecentes em 2003, contra 180 milhões nos anos 90. O documento destaca que a maconha é a droga mais utilizada, com 150 milhões de usuários.
Por outro lado, o relatório de 2004 da Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), afirma que a produção de cocaína registrou queda de 18% de 2002 para 2003, por causa dos intensos esforços de controle na Colômbia, principal produtor mundial.
''A produção mundial de cocaína caiu a seu menor nível desde os anos 80'', comemorou Sandeep Chawla, chefe do departamento de análise e pesquisa da agência da ONU, durante uma entrevista coletiva.
No ano passado, o consumo nos Estados Unidos, maior mercado mundial para as drogas alcalóides, retrocedeu 23% em relação a 1999 e mais de 60% em comparação a 1985, segundo o documento. Em todo o planeta, 13 milhões de pessoas são viciadas em cocaína.
Além disso, considerando-se os viciados em vários produtos, cerca de 38 milhões de pessoas consumiam drogas sintéticas (anfetaminas, metanfetaminas e ecstasy) no ano passado (contra 29 milhões na década passada), enquanto 15 milhões eram dependentes dos opiáceos (ópio, morfina e heroína).
''Estas estimativas, levemente superiores às do relatório anterior da UNODC, publicado em 2000, demonstram que o uso de entorpecentes afeta menos de 5% da população mundial de entre 14 e 64 anos, enquanto o tabagismo afeta quase 30%'', afirma o documento.
''A comparação é válida se considerarmos o uso de entorpecentes e o tabagismo como pandemias, mesmo com o consumo de drogas sendo muito mais perigoso que o do tabaco'', afirmou Chawla.
Maconha cresce - Se o consumo de drogas sintéticas, opiáceos e cocaína parece estabilizado, o de cannabis (haxixe e maconha) cresce a um ritmo veloz, lamenta a agência das Nações Unidas.
''A produção e as apreensões progrediram durante a última década, voltando aos níveis dos anos 80. É um problema mundial, já que a cannabis é cultivada em mais de 140 países'', disse Chawla.
Os opiáceos continuam constituindo o problema mais grave de saúde pública, afirma a UNODC, que antecipa um aumento da colheita de ópio em 2004 no Afeganistão, depois de uma produção quase nula em 2001, por causa da proibição imposta pelos talibãs.
No ano passado, os dependentes da heroína representavam 67% das pessoas em processo de desintoxicação na Ásia, 61% na Europa e 47% na Oceania.
Em 2002, a UNODC registrou pela primeira vez uma estabilização do consumo de drogas sintéticas, provavelmente porque muitos laboratórios foram desmantelados nos últimos dois anos.
Durante a última década (1992-2002), as quantidades de drogas confiscadas aumentaram, acrescenta a agência. Há dois anos, a cannabis representava 99% das apreensões na África, enquanto a cocaína representava 31% das apreensões nas Américas do Norte e do Sul e os opiáceos 43% na Ásia.

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