ONU discute seu próprio futuro em assembléia anual
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domingo, 21 de setembro de 2003
Marc Carnegie<br>France Press 
Nova York O futuro do Iraque e da própria Organização das Nações Unidas (ONU) serão o centro das atenções dos chefes de Estado e de Governo reunidos a partir de amanhã na Assembléia Geral da ONU em Nova York, para duas semanas de discursos e diplomacia. O debate anual deve ser concorrido após o pedido do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para que os líderes compareçam pessoalmente ao evento. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa logo após Annan.
Um ano após o presidente americano, George W. Bush, desafiar a ONU ao defender a invasão do Iraque, o líder da maior potência mundial voltará às Nações Unidas para pedir dinheiro e tropas para restaurar a ordem no solo iraquiano. Os principais críticos da guerra os presidentes de França e Rússia, Jacques Chirac e Vladimir Putin, e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder participarão da Assembléia, dominada pela questão iraquiana.
O futuro da ONU também é um ponto crítico, no momento em que a instituição fundada à sombra da 2 Guerra Mundial busca seu papel no século XXI. ''Alguns eventos fizeram balançar o sistema internacional'', disse Annan este mês durante um discurso em que pediu mudanças radicais no funcionamento da ONU. A incapacidade da ONU de obter um acordo sobre o Iraque foi um dos seus vários tropeços. O fracasso nas negociações da Organização Mundial do Comércio, em Cáncun, foi outro.
Agora, com os Estados Unidos pedindo um maior papel da ONU no Iraque, está preparado um novo cenário para o choque de posições. Os Estados Unidos já rejeitaram as exigências de França e Alemanha para a rápida devolução da soberania aos iraquianos, alegando que a instabilidade das instituições políticas ainda não permite a transição.
Annan advertiu que quer um mandato claro do Conselho de Segurança indicando qual será o futuro papel das ONU no Iraque e que garantias de segurança haverá para os homens da organização. A crise entre israelenses e palestinos também estará na agenda, pois o quarteto que elaborou o chamado ''Mapa da Paz'', integrado por ONU, Estados Unidos, União Européia e Rússia se reunirá à margem da Assembléia Geral.


