O Conselho de Segurança da ONU deve decidir nos próximos dias - em debates que os obervadores prevêem como difíceis - se agrava ou não as sanções contra o Iraque para obrigar o regime de Saddam Hussein a cooperar plenamente com a Organização das Nações Unidas em seu processo de desarmamento.
Os diplomatas acreditam que os debates serão muito difíceis entre os quinze membros do Conselho, pois há duas posições em choque. De um lado estão os partidários dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, que querem uma linha de atuação mais dura; do outro estão Rússia, França e China, partidários de uma linha mais suave.
Ao aproximar-se o debate, os Estados Unidos acentuaram sua pressão política e militar contra o Iraque, que atacou pela primeira vez o chefe da Comissão especial da ONU encarregada do desarmamento do Iraque (Unscom), Richard Butler. O governo de Hussein acusa Butler de fazer o jogo dos Estados Unidos.
O Conselho de Segurança deve efetivamente tomar uma decisão depois de escutar os informes de Butler e do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Hans Blix, sobre o desarmamento do Iraque.
O embargo imposto a esse país desde a invasão do Kuwait, em agosto de 1990, não poderá ser levantado enquanto a Unscom não constatar que o Iraque não dispõe de armas biológicas, químicas e nucleares, nem de mísseis de alcançe maior de 150 km.
Embora o informe da Aiea aprove globalmente o desarmamento nuclear do Iraque, as conclusões de Butler são muito mais críticas, principalmente em relação às armas biológicas.
Em seu estudo, chefe da Unscom considerou que Bagdá não havia realizado ‘‘nenhum progresso’’ nesse aspecto.
Entre outras coisas, denunciou os múltiplos obstáculos apresentados pelos iraquianos no trabalho dos inspetores da Unscom.
Nimitz no Golfo O porta-aviões norte-americano Nimitz, seguido por um grupo de seis navios de guerra, entrou ontem no Golfo Pérsico para realizar operações próximo da fronteira entre o Irã e o Iraque. A embarcação, armada com 50 caças e mais de 20 outros tipos de aviões de combate e helicópteros, teve a sua chegada no Golfo adiantada por ordem do Pentágono depois que aumentaram as tensões na região.
A chegada do Nimitz, que se juntará a oito destróieres, fragatas e outros navios de guerra norte-americanos já presentes no local, acontece 24 horas depois da realização de exercícios militares realizados sábado pelo Irã nas águas do norte do Golfo.
De acordo com um chefe militar iraniano, os exercícios de guerra são realizados todos os anos e havia sido planejado antes do envio do Nimitz à região. Segundo o oficial, eles são necessários para mostrar a capacidade do Irã de defender seus interesses e segurança interna.
‘‘Eles estão no Golfo’’, afirmou um porta-voz militar dos EUA, referindo-se à chegada do Nimitz e sua frota.‘‘Ele (o Nimitz) irá operar no Golfo como parte da Operação de Vigilância Sul’’, disse.

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