São Paulo - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu ontem que seja aplicada a lei internacional em relação aos ataques com aviões não tripulados. A aplicação dos drones, usados principalmente pelos Estados Unidos, é criticada por ferir a soberania de diversos países.
A declaração do chefe da organização foi feita em visita ao Paquistão, país mais bombardeado por Washington no mundo com esse tipo de aparelho, junto com o Iêmen. Para o governo americano, os aviões não tripulados são parte da estratégia antiterrorismo para desmantelar organizações como o Taleban e a Al-Qaeda.
Em entrevista em Islamabad, Ban Ki-moon afirmou que a posição da ONU é que as operações com os aviões não tripulados devem ser submetidas às leis internacionais. "Também é preciso fazer todos os esforços possíveis para evitar erros e morte de civis."
O Paquistão é um dos principais alvos americanos desde 2004, quando começou a operação para destruir zonas tribais próximas à fronteira do Afeganistão, onde estão refugiados talebans e militantes da Al-Qaeda. Desde 2008, mais de 2 mil pessoas morreram nos ataques.
Feitos, em sua maioria, sem aviso a Islamabad, os bombardeios americanos são motivo de crítica dos paquistaneses e eleva o sentimento antiamericano no país. Outra crítica é em relação ao alto número de civis mortos, que os Estados Unidos considera uma pequena minoria.

Malala
Ban Ki-moon também visitou uma escola de meninas na capital paquistanesa e fez uma defesa da educação feminina. O Paquistão é o país de Malala Yousafzai, de 16 anos, adolescente que critica as imposições do Taleban contra as mulheres e, por isso, sofreu um atentado em outubro do ano passado.
"O maior temor dos terroristas são as meninas e mulheres educadas. Alguns querem negar o direito à educação das meninas, mas temos que eliminar as tradições que negam o direito das mulheres de se educarem."
Ban Ki-moon também pediu o aumento do Orçamento gasto em educação no Paquistão, que representa 10% da verba destinada à Defesa. Em resposta, o governo paquistanês prometeu dobrar, de 2% para 4%, os gastos até 2018.

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