ONU critica política da Itália para imigrantes
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Folhapress 
Genebra - A Itália se viu na berlinda ontem durante o segundo dia de sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, quando a alta comissária das Nações Unidas para o tema, Navi Pillay, criticou a política do país para conter a imigração.
Embora não tenha citado o governo do direitista Silvio Berlusconi, Pillay evocou um episódio ocorrido em agosto na costa italiana, no qual um barco com dezenas de imigrantes eritreus ficou à deriva e não recebeu ajuda das embarcações que passavam. Apenas 5, de estimados 80, chegaram vivos.
Supondo que os barcos em apuros levam imigrantes, os navios passam e ignoram seus pedidos de ajuda, o que viola as leis internacionais. Em muitos casos, as autoridades rejeitam esses migrantes e os deixam à mercê de dificuldades, quando não da morte, como se estivessem recusando navios com detritos tóxicos, declarou Pillay.
A crítica rendeu uma réplica veemente da embaixadora italiana na ONU, Laura Mirachian. Afirmando que seu país está comprometido em combater o racismo, a xenofobia e preservar os direitos humanos, ela disse que a Itália foi exposta a um tamanho fluxo de imigrantes que isso em alguns casos afetou a ordem pública.
Roma trata a questão como problema de segurança e criminalizou a imigração irregular. Porque o tema é complexo e os desafios são imensos, ele exigia uma resposta abrangente. O envolvimento de organizações criminosas no tráfico humano foi provado. A cooperação com países vizinhos era fundamen-tal, disse Mirachian.
A Itália entrou no alvo dos defensores dos direitos humanos ao assinar acordo com a Líbia em maio. O tratado permitiu patrulhas líbias em águas entre os dois países e a deportação dos imigrantes pegos no mar e na costa, independentemente de sua origem, para o país africano, onde observadores de direitos humanos não podem entrar.


