Nova York - A afirmação do presidente americano George W. Bush de que a ONU vai provar sua inutilidade se não apoiar a guerra contra o Iraque tem como objetivo principal intimidar os outros países, segundo especialistas das Nações Unidas.
Entretanto, é certo que se os Estados Unidos atacarem Bagdá sem o acordo da ONU, o trabalho do Conselho de Segurança vai se tornar mais difícil e o direito internacional pode sofrer sério retrocesso, dizem os especialistas.
Bush declarou várias vezes que se a ONU não atuar para fazer respeitar as resoluções do Conselho de Segurança sobre o desarmamento iraquiano, vai se tornar tão inútil como a já inexistente Sociedade das Nações, que foi incapaz de controlar a ameaça do totalitarismo nos anos 30, antes da Segunda Guerra Mundial.
O secretário-geral Koffi Annan não acredita nesta avaliação e muito menos na previsão, segundo suas declarações no dia 7 de fevereiro, em discurso em uma universidade. ''A ONU vai muito além da crise iraquiana''.
Cooperação - A entrega ao chefe dos inspetores em desarmamento das Nações Unidas, Hans Blix, de um informe do Iraque sobre os agentes químicos neurotóxicos UX, que Bagdá afirma ter destruído há 12 anos, mostra que Bagdá ''coopera cada vez mais'' com a ONU, declarou ontem o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Alexandre Iakovenko em um comunicado. ''Por isso a Rússia insiste para que se prolonguem as inspeções no Iraque'', acrescentou.
O chefe da diplomacia francesa, Dominique de Villepin, por sua vez, continuou fazendo ''esforços diplomáticos'' durante toda a sexta-feira, junto ao seu colega britânico Jack Straw, por exemplo, com o objetivo de ''evitar o recurso imediato da força no Iraque'', informaram ontem fontes oficiais francesas.
A França e a Alemanha, partidárias de um desarmamento pacífico no Iraque, são contra uma segunda resolução da ONU prevendo o uso da força, e estão em forte desacordo com a Grã-Bretanha e Espanha, que vão se reunir hoje nas ilhas portuguesas de Açores com os Estados Unidos.
A Cúpula de Açores é apresentada pelos Estados Unidos como a ''última etapa'' do processo diplomático para tentar encontrar uma saída pacífica para a crise sobre o desarmamento do Iraque.

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