O secretário-geral da Organização das Nações Unidas Kofi Annan confirmou ontem o fim dos 22 anos de ocupações israelenses no sul do Líbano, manifestando esperança de que isso represente um importante ponto de convergência na busca da paz no Oriente Médio. Mas o Líbano garante que Israel ainda controla parte de seu território.
Logo após a ONU comunicar seu Conselho de Segurança e fazer uma breve declaração pública, Annan entrou em um avião rumo ao Oriente Médio, com escala em Londres, ‘‘para ver o que as Nações Unidas poderão consolidar e construir a partir da conquista de hoje’’.
‘‘Este é um dia muito feliz para o Líbano, e também para Israel’’, declarou o secretário-geral. ‘‘Este é um dia de esperança para o Oriente Médio como um todo.’’
Porém, horas antes do anúncio de Annan, o presidente libanês Emile Lahoud alertara que seu governo é contrário à fronteira demarcada pela ONU e consideraria que a retirada de Israel foi incompleta.
O primeiro-ministro Salim Hoss disse que as autoridades libanesas descobriram ‘‘que ainda há muitos postos avançados do exército israelense em território libanês. E há algumas partes do território libanês sob controle israelense em um flagrante ato de invasão.’’
A rejeição do Líbano à verificação da ONU pode atrasar o deslocamento do exército libanês ao sul de seu território, além de poder complicar a visita de Annan ao Oriente Médio.
Israel invadiu o Líbano em 1978 e ocupou o sul do território libanês, alegando utilizar a área invadida para evitar ataques guerrilheiros contra o norte de Israel de 1985 até sua retirada em 24 de maio último.
A confirmação sobre a conclusão da retirada israelense abre caminho para que uma missão de paz da ONU de 4.500 soldados estacionada no Líbano desloque-se imediatamente para a fronteira para auxiliar o governo libanês na manutenção da paz e na reafirmação de sua autoridade.
Mas o deslocamento do exército libanês rumo ao sul do Líbano, onde os guerrilheiros do grupo pró-iraniano Hezbollah exercem atualmente a autoridade de fato, é ‘‘a questão mais importante’’, disse Terje Roed Larsen, enviado ao Oriente Médio pelo secretário-geral. O assunto estará na agenda das reuniões de Annan com líderes libaneses na próxima semana.
Roed-Larsen disse que o comunicado do secretário-geral ao Conselho de Segurança inclui uma declaração do governo libanês que a ONU interpreta da seguinte maneira: ‘‘O Líbano respeitará a decisão das Nações Unidas no que concerne à retirada israelense.’’

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