Seul - O Conselho de Segurança da ONU condenou energicamente, após reunião de urgência, o lançamento de um foguete de longo alcance por parte da Coreia do Norte e anunciou que aprovará sanções "em resposta a estas perigosas e graves violações".
A capital da Coréia do Norte, Pyongyang, anunciou ontem ter colocado um satélite em órbita, cujo lançamento foi condenado pela comunidade internacional. Acredita-se que possa ter sido um teste de um míssil balístico intercontinental.
Poucas horas depois do anúncio, a Coreia do Sul e os Estados Unidos anunciaram o início de negociações para mobilizar em território sul-coreano o sistema antimísseis americano THAAD, um dos mais modernos do mundo.
Em Nova York, a declaração do Conselho de Segurança foi aprovada em uma sessão de emergência por seus 15 membros, incluindo a China, o principal aliado de Pyongyang. "Os membros do Conselho de Segurança adotarão rapidamente uma nova resolução do Conselho, impondo medidas significativas em resposta a estas perigosas e graves violações" de resoluções da ONU, informa a declaração.
Ignorando as resoluções das Nações Unidas e as advertências prévias das grandes potências, o lançamento ocorreu um mês depois de a Coreia do Norte realizar seu quarto teste nuclear. O foguete foi lançado da base de Dongchang-ri, no nordeste do país, às 9h (22h30 em Brasília, do dia anterior). O lançamento foi ordenado pessoalmente pelo líder Kim Jong-un e "colocou em órbita com sucesso nosso satélite de observação terrestre Kwangmyong 4", informou a televisão governamental. A colocação em órbita do satélite não pôde ser confirmada, mas uma fonte americana de defesa disse que, ao que parece, "houve algo que chegou ao espaço".
A Coreia do Norte insiste em que o lançamento é parte de um programa espacial exclusivamente científico, mas muitos países consideram-no um teste camuflado para melhorar o regime de mísseis intercontinentais capazes de transportar bombas atômicas para qualquer lugar do planeta.

PROVOCAÇÃO

"Os programas de mísseis e armas nucleares da Coreia do Norte representam sérias ameaças para nossos interesses (...) e para a segurança de alguns de nossos aliados mais próximos", disse em Washington a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Susan Rice.
Já o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, "condenou com firmeza" o lançamento e pediu à Coreia do Norte que ponha fim em suas ações "provocadoras".
Rússia, Grã-Bretanha e Japão também condenaram o lançamento norte-coreano, enquanto que, em uma mensagem transmitida pela televisão, a presidente sul-coreana, Park Geun-Hey, afirmou que "o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve adotar rapidamente medidas punitivas severas".
Em 6 de janeiro, a Coreia do Norte realizou um teste nuclear, também violando as resoluções da ONU. Alguns especialistas duvidam, porém, da capacidade da Coreia do Norte para ameaçar o território de países como Estados Unidos, já que lançar um míssil intercontinental é relativamente fácil em comparação com a tecnologia para o reingresso controlado na atmosfera.

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