Nova York- Para que o mundo nunca esqueça, a Assembléia-Geral da ONU manteve ontem uma sessão especial histórica dedicada à libertação dos campos de concentração nazistas, e lançou um apelo unânime à vigilância contra qualquer ressurgimento do anti-semitismo.
Pela primeira vez na história das Nações Unidas, a sessão foi aberta com um minuto de silêncio. Em seu discurso, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu ao mundo para ''demonstrar respeito'' pelas vítimas dos campos de concentração nazistas ''protegendo todas as comunidades ameaçadas e vulneráveis, agora e no futuro''.
''A ONU nunca deve esquecer que foi criada em resposta ao nazismo, ou que os horrores do Holocausto contribuíram para definir sua missão'', lembrou Annan.
Para que os horrores dos campos nazistas nunca mais se repitam, ''precisamos estar atentos a qualquer ressurgimento do anti-semitismo, e estar prontos para agir contra as novas formas de anti-semitismo que aparecem hoje em dia'', prosseguiu.
''Este dever nos liga não apenas ao povo judeu, mas a todos os que foram, ou poderiam ser, ameaçados de ter o mesmo destino'', insistiu Annan.
Recordando que, desde o Holocausto, ''o mundo fracassou, para sua grande vergonha, em impedir outros genocídios, como no Camboja, em Ruanda e na ex-Iugoslávia'', Annan lançou à comunidade internacional um apelo à ''vigilância'' e à ''responsabilidade''.
''Nunca saberemos se o Holocausto poderia ter sido evitado se as Nações Unidas tivessem existido na época'', declarou o ministro israelense das Relações Exteriores Sylvan Shalom.
''Mas esta sessão especial confirma a necessidade, tanto para as Nações Unidas quanto para qualquer país membro, de trabalhar para que tal tragédia nunca mais se repita'', acrescentou.
O escritor e Prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, um sobrevivente dos campos de extermínio, lamentou a ''indiferença'' em relação ao Holocausto manifestada por outros países, sem a qual o drama vivenciado pelos judeus e as demais vítimas dos campos talvez poderia ter sido evitado, ou ao menos reduzido. ''Nunca devemos nos esquecer desta vergonhosa indiferença'', sentenciou.
''A indiferença sempre ajuda o agressor, nunca a vítima. Aliás, o que é a memória, senão uma nobre a necessária resposta à indiferença?'', insistiu.
Por sua vez, os Estados Unidos são representados pelo número dois do Pentágono, Paul Wolfowitz.
Cento e cinquenta países, dos 191 membros das Nações Unidas, haviam aprovado esta iniciativa de organizar uma sessão especial, patrocinada por Estados Unidos, Israel, União Européia, Rússia, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

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