Nova York Os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, divididos desde o início da crise iraquiana, começam a examinar um projeto de resolução americano que procura obter ajuda militar e econômica da comunidade internacional. O conselho se reunirá hoje para estudar informalmente e a portas fechadas o texto, disse o embaixador britânico Emyr Jones Perry, que exerce a presidência do órgão neste mês.
Em Nova York, foram diversas as reações dos diplomatas à iniciativa de Washington. ''É um passo significativo numa boa direção'', declarou o embaixador mexicano Aguilar Zinser, frequente crítico de Washington. Seu colega chileno Heraldo MuÀoz frisou que o projeto representa ''um passo positivo'' embora ''não sabemos se suficiente''.
A iniciativa americana apresentada quarta-feira é, na opinião de Zinser, ''um primeiro projeto que permite trabalhar, um ponto de partida''. O ponto de vista é compartilhado pelo embaixador alemão Gunter Pleuger, que o considera ''uma boa base de trabalho''. ''Veremos até onde podemos ir'', acrescentou.
O secretário de estado americano Colin Powell afirmou que o projeto procura responder às demandas de países como França e Alemanha. ''Acho que a resolução foi preparada de maneira a responder às inquietações de dirigentes como o presidente (Jacques) Chirac e o chanceler (Gerhard) Schroeder'', disse Powell.
O otimismo de Powell foi relativizado, no entanto, pelas reações dos dois líderes europeus. Para Chirac, o projeto americano está ''bastante afastado do objetivo prioritário'' da França, ''a transferência da autoridade a um governo iraquiano''. Quanto a Schroeder, acha que a iniciativa ''não é suficiente'' e não vai ''bastante longe''. A Rússia, outro proeminente membro do grupo, que criticou a invasão ao Iraque e se opõe à política de Washington no país, não comentou ontem o projeto de resolução. Mas o presidente Vladimir Putin declarou sábado em Moscou que não via ''nada de ruim'' no estabelecimento de uma força internacional no Iraque sob o comando americano, se contasse com a autorização das Nações Unidas e esta pudesse desempenhar um papel concreto no país.
Segundo vários diplomatas que pediram para não ter o nome divulgado, o projeto americano não parece cumprir com essas condições. Tampoco cumpre com a necessidade de transparência na utilização de recursos internacionais destinados à reconstrução do Iraque.
Rumsfeld em Bagdá O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, chegou ontem no Iraque, onde os americanos estão sendo criticados por sua incapacidade de garantir a segurança, num momento em que foram evitados no Curdistão atentados de envergadura.
Rumsfeld iniciou uma visita inesperada, durante a qual deve evocar a questão do reforço das forças de segurança iraquianas. ''O importante agora é construir uma ampla força iraquiana'', declarou
Rumsfeld a jornalistas.
Ataque Uma patrulha americana foi atingida ontemn por dois foguetes antitanque no centro da cidade de Ramadi, ao oeste de Bagdá, assinalou uma testemunha contactada desde Faluja, no centro do Iraque.
Um dos veículos da patrulha foi destruído e dois soldados ficaram feridos.

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