ONU alerta sobre aumento de bactérias mais resistentes
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2017
France Presse 
Nairóbi, Quênia - A ONU (Organização das Nações Unidas) advertiu nesta terça-feira (5) sobre o aumento da resistência aos antimicrobianos, favorecido pela disseminação de medicamentos e de alguns produtos químicos no meio ambiente. Se esta tendência continuar, será arriscado contrair doenças em atividades simples, como nadar no mar, advertiram os especialistas reunidos em Nairóbi para a Assembleia da Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Em um relatório publicado nesta terça e chamado "Frontiers 2017", os especialistas assinalaram que "a difusão no meio ambiente de componentes antimicrobianos provenientes de casas, hospitais e estabelecimentos farmacêuticos, assim como da atividade agrícola(...), favorece a evolução bacteriana e o surgimento de cepas mais resistentes".
"A advertência lançada por este relatório é verdadeiramente alarmante: os seres humanos poderiam participar do desenvolvimento de superbactérias devido a nossa ignorância e negligência", considerou Erik Solheim, diretor do Programa da ONU para o Meio Ambiente.
"Os estudos já relacionaram o uso inadequado dos antibióticos nos humanos e na agricultura nos últimos 10 anos à aparição de uma resistência crescente às bactérias, mas o papel do meio ambiente e da contaminação receberam pouca atenção", observou.
A resistência antimicrobiana é um quebra-cabeça para as agências de saúde internacionais. Em escala mundial, cerca de 700 mil pessoas morrem por infecções a cada ano. Um relatório publicado em 2014 advertiu que as patologias resistentes aos antibióticos poderiam matar 10 milhões de pessoas daqui até 2050, o que seria a principal causa de mortes, à frente de doenças cardíacas e do câncer. Seu custo é estimado em US$ 100 bilhões.
"Poderíamos entrar no que as pessoas chamam de era pós-antibióticos, ou iremos voltar aos anos antes de 1940, quando uma simples infecção (...) era muito difícil, ou impossível", de curar, explicou Will Gaze, da Universidade de Exeter, na Inglaterra, coautor do relatório.


