ONU adota ''telefone vermelho'' com Bagdá
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segunda-feira, 25 de novembro de 2002
Agência Folha 
Bagdá - Os inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) vão adotar um ''telefone vermelho'' para comunicação com as autoridades iraquianas para solucionar o mais rapidamente possível qualquer problema que acontecer durante as inspeções que serão retomadas na quarta-feira (27), indicou ontem um porta-voz.
A linha de emergência será estabelecida entre o Centro de Inspeção e Verificação de Bagdá (Bomvic, na sigla em inglês) e o Organismo de Controle Nacional, do lado iraquiano, informou Hiro Ueki em coletiva de imprensa na sede da ONU em Bagdá.
A adoção da linha telefônica foi decidida nas discussões da semana passada com os chefes dos inspetores, Hans Blix e Mohamed ElBaradei.
Com com essa decisão, os funcionários querem evitar a repetição dos incidentes durante a agitada missão de fiscalização no Iraque, entre 1991 e 1998.
O primeiro ''telefone vermelho'' foi uma linha de telex criada em 20 de junho de 1963, durante a Guerra Fria (1945-1989).
Era uma linha direta entre os Estados Unidos e a então União Soviética, que tinha como objetivo estabelecer comunicações rápidas em caso de crise para evitar conflitos de grandes proporções (como uma guerra nuclear) entre os blocos na Guerra Fria o comunista, liderado pela URSS, e o capitalista, liderado pelos EUA.
Pretexto - Enquanto isso, o jornal As Saura, órgão do Partido Baath no poder, afirmou ontem que os especialistas em desarmamento da ONU ''não encontrarão nada'' quando retomarem seus trabalhos no Iraque, depois de quatro anos de interrupção.
''Mas deixaremos que procurem, já que os Estados Unidos querem manter a ilusão (de que o Iraque possui armas de destruição em massa) para justificar suas intenções agressivas'', acrescenta o jornal.
O Iraque suspeita que os Estados Unidos usarão a declaração que os iraquianos têm que preparar sobre seus programas de armamento como um pretexto para a guerra, indica o chefe da diplomacia iraquiana, Naji Sabri, em uma carta à ONU divulgada ontem.
No documento, dirigido ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, Sabri faz algumas observações sobre determinadas disposições da resolução 1441, que endurece as modalidades de inspeção de armas e a qual Bagdá aceitou sem condições no último dia 13.


