Divergências sobre o texto de um projeto nipo-britânico de resolução que ameaça o Iraque com ‘‘as mais severas consequências’’ se ele não cumprir o acordo assinado domingo com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, adiaram o plano de seus autores de submeter ontem nas Nações Unidas, em Nova York o texto a votação no Conselho de Segurança. Segundo diplomatas da organização, a votação deverá ser realizada só na terça-feira.
Afirmando que precisa ficar em Nova York para participar das consultas sobre o acordo - que será endossado pela resolução -, Annan anunciou o adiamento da visita que faria no início da próxima semana a Washington. Entretanto, alguns analistas acreditam que também pesaram na decisão as duras críticas feitas por republicanos do Congresso americano contra o pacto, que prevê que diplomatas escolhidos pelo secretário acompanhem os técnicos da ONU na inspeção irrestrita dos palácios iraquianos suspeitos de esconder armas de destruição em massa. Analistas acreditam que Annan pretende esperar que a polêmica em Washington esfrie antes de ir à cidade.
O acerto com o Iraque prevê que diplomatas escolhidos por Annan acompanhem os técnicos da Comissão Especial da ONU (Unscom) na inspeção irrestrita dos palácios iraquianos suspeitos de esconder armas de destruição em massa. A participação dos diplomatas era exigida por Bagdá, que considera os peritos americanos da Unscom espiões. Na noite de quinta-feira o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, disse que seu governo também não confia na equipe ampliada de inspeção (com os diplomatas), mas, mesmo assim, cooperará totalmente com os inspetores, pois ‘‘confia em Annan’’.
O embaixador britânico na ONU, John Weston, chegara otimista para uma reunião sobre o projeto de resolução (apoiado pelos EUA): ‘‘Não creio que haja alguma divisão neste edifício sobre o fato de que a diplomacia apoiada pela firmeza obtém mais que a diplomacia sozinha.’
Mas, depois de duas horas e meia de discussões, a França, Rússia e China ainda insistiam em amenizar a linguagem do documento. Os três (que, como os EUA e a Grã-Bretanha, são membros permanentes do Conselho de Segurança e têm o poder de vetar qualquer resolução) são contra uma linguagem que possa abrir a porta para um ‘‘ataque automático’’ ao Iraque.

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