Doha - Um grupo de organizações não governamentais acusou o Brasil de estar empacando as negociações sobre o financiamento da preservação de florestas tropicais na COP-18, cúpula climática da ONU que vai até sexta em Doha, no Catar.
A delegação brasileira se opôs à verificação internacional da conservação das florestas dentro do modelo proposto pelos EUA e outros países desenvolvidos no âmbito do chamado Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação).
Esse mecanismo está em discussão há muito tempo, mas foi reconhecido oficialmente na COP de 2010. Ele estabelece que, em troca de compensações financeiras, florestas tropicais naturais sejam preservadas. Parece simples, mas os pormenores do procedimento ainda precisam ser acertados.
Na reta final das negociações, houve um impasse. O grupo dos países ricos disse que pretendia aumentar a liberação de verbas para as iniciativas de Redd, mas pediu medidas de verificação por um grupo internacional independente. Essa verificação, por sua vez, foi considerada exagerada pelo Brasil e pelas outras nações do G77.
Para o grupo, os países financiadores estariam obrigando as nações em desenvolvimento a se submeterem a mecanismos de verificação muito mais rigorosos do que os que eles próprios adotam para as suas emissões.
Como não chegaram a um consenso, a discussão sobre Redd acabou adiada e só deve ser retomada em outro encontro, em meados de 2013.
Questionado pela imprensa internacional, o negociador-chefe do Brasil na COP, Luiz Alberto Figueiredo Machado, afirmou que o Brasil quer um modelo ''doméstico'' de verificação, que poderia ser depois submetido à ONU e ao crivo de outros organismos internacionais.
A proposta desagradou a muita gente, especialmente aos defensores da comercialização dos certificados de redução de emissões.

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