ONG lista os países mais corruptos
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quarta-feira, 20 de outubro de 2004
France Presse 
Berlim - A corrupção nas licitações e concessões públicas representa o maior obstáculo para o desenvolvimento sustentável dos países pobres, reduzindo o potencial dos países ricos em petróleo, alertou ontem a organização anticorrupção Transparência Internacional (TI), em Berlim. A lista de países menos corruptos é encabeçada pela Finlândia, com 9,7 pontos, seguida da Nova Zelândia (9,6), Dinamarca e Islândia (9,5), Cingapura (9,3), Suécia (9,2) e Suíça (9,1).
Entre os países da América Latina e do Caribe, o Chile continua no topo da lista de nações com menor imagem de corrupção (20º lugar com 7,4 pontos), seguido do Uruguai (28º, com 6,2 pontos), onde se observa uma queda no nível de corrupção, segundo o relatório anual da Transparência Internacional. Por outro lado, o Haiti, junto com Bangladesh, ocupam a lanterna da lista geral como os países mais corruptos, na 145ªposição, com 1,5 ponto, precedidos do Paraguai, em 140º, com 1,9 ponto.
Estes países, assim como a Nigéria (144º, com 1.6 pontos), constituem os casos mais agudos de corrupção, disse o presidente e fundador da TI, Peter Eigen. O relatório é publicado num momento em que vários países da América Central são sacudidos nos últimos meses e semanas por escândalos de corrupção.
A Costa Rica aparece no 41º lugar, com 4,9 pontos, enquanto El Salvador está em 51º com 4,2 pontos (embora ali se observe um declínio da corrupção), o Panamá em 62º, ao lado de Cuba, com 3.7 pontos, e a Nicarágua em 97º, com 2,7 pontos. Se quisermos alcançar os objetivos do milênio em desenvolvimento, como o de reduzir o número de pessoas consumidas na pobreza extrema antes de 2015, os governos devem atacar seriamente a corrupção na concessão de licitações públicas, destacou Eigen.
O nível de corrupção é igualmente elevado nos países ricos em petróleo, que têm um percentual extremamente baixo numa faixa entre 0 (máxima percepção de corrupção) e 10 (altamente honesto).
Nestes países, a competência nas licitações públicas se vê afetada pelo desaparecimento dos rendimentos que vão parar nos bolsos dos diretores das sociedades petroleiras ocidentais, os intermediários e os funcionários locais, denunciou a Transparência Internacional.
Equador (112º, com 2,4 pontos), Venezuela (114º, com 2,3), Rússia (90º, com 2,8), assim como a Índia, depois da China (71º, com 3,4) e a Argélia (97º, com 2,7) se enquadram neste caso.
A Transparência Internacional pediu aos países ocidentais que obriguem suas companhias petroleiras a publicar o que pagam por comissões, regalias e outros desembolsos a governos e companhias petroleiras estatais. O acesso a esta importante informação reduziria as possibilidades de suborno, que prejudicou a indústria petroleira nas economias do pós-guerra, disse Eigen.


