ONG expõe abusos do Exército em Gaza
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Folhapress 
São Paulo- Soldados israelenses que participaram da última ofensiva na faixa de Gaza relataram ter sido instruídos a atirar indiscriminadamente contra palestinos e a usá-los como escudos humanos durante os ataques. Os militares também admitiram o uso generalizado de munição com fósforo branco em áreas civis, o que é proibido. As declarações estão num relatório divulgado ontem pela ONG israelense Quebrando o Silêncio, que reúne militares veteranos contrários a abusos cometidos pelo Exército nos territórios ocupados.
Depoimentos anônimos de 30 militares de várias patentes revelam, diz a ONG, uma atmosfera permissiva na estrutura de comando, que permitiu aos soldados atuarem sem obrigações morais na invasão do território palestino em janeiro.
A ofensiva começou em 27 de dezembro com o objetivo declarado de forçar o grupo islâmico Hamas, que controla Gaza, a parar de disparar foguetes contra o sul de Israel. O conflito de 22 dias matou 1.400 palestinos e 13 israelenses, e destruiu a infraestrutura do território.
Entre os depoimentos apresentados pela ONG está o de um soldado que descreve a maneira como os civis eram utilizados como escudos humanos nas casas suspeitas. Antes de invadir as casas, mandávamos os vizinhos entrarem.
(Entrávamos) colocando o cano do fuzil sobre o ombro de um civil, que era usado como escudo, afirma outro militar.
Segundo os testemunhos, a orientação era atirar primeiro e perguntar depois, tática para minimizar as baixas israelenses às vésperas da eleição de fevereiro -vencida pela oposição direitista, hoje no poder.
Um dos soldados conta que as instruções diziam que é melhor atingir um inocente do que hesitar em atingir um inimigo.


