São Paulo - A ONG WAN-Ifra (Associação Mundial de Jornais e Publishers) condenou, em um relatório sobre a imprensa no Reino Unido, o tratamento dado pelas autoridades do país ao brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald.
Greenwald publicou, de início a serviço do jornal inglês The Guardian, desde junho de 2013, diversos documentos vazados da NSA (Agência de Segurança Nacional) que mostram a espionagem, pelo órgão americano, muitas vezes com a colaboração do serviço secreto britânico, de civis sem mandado judicial e de chefes de Estado estrangeiros.
Miranda foi detido por nove horas no Aeroporto de Heathrow, em 18 de agosto, sob uma lei antiterrorismo, e teve equipamentos eletrônicos confiscados.
"O aparente uso incorreto deste elemento da legislação antiterrorismo coloca jornalistas e aqueles que auxiliam o trabalho jornalístico sob suspeita de serem terroristas ou ter envolvimento com atividades terroristas", afirma o relatório. "Isso é claramente uma conexão ultrajante e profundamente perturbadora", prossegue o texto, que destaca também que a Suprema Corte rejeitou o pedido de reconhecimento de que a detenção de Miranda havia sido contrária à lei.
O documento afirma que "preocupações sobre a dimensão do envolvimento político da nova regulamentação da imprensa, combinadas com a condenação internacional da reação do governo britânico à cobertura do 'Guardian' das revelações de monitoramento digital, deflagraram questões sobre a liberdade de imprensa no Reino Unido".

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