ONG acusa força de elite de assassinatos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de fevereiro de 2019
Folhapress 
São Paulo - Uma força de elite da polícia venezuelana criada pelo ditador Nicolás Maduro foi responsável pelo assassinato de 205 pessoas em 2018 e se transformou em um "esquadrão da morte" a mando do regime, acusou uma ONG local nesta quinta-feira (31).
O comunicado do Provea (Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos) aponta que a maior parte das vítimas morava em bairros pobres e que os agentes registraram as ações como "mortes por enfrentamento" ou "resistência a autoridade".
A criação das Faes (Forças de Ações Especiais) foi anunciada pelo próprio Maduro em 14 de julho de 2017, tendo como objetivo funcionar como um braço para operações táticas da Polícia Nacional Bolivariana. O grupo teria sido idealizado pelo ministro de Interior e Justiça do regime, o militar Néstor Reverol, que já comandou a própria polícia.
Oficialmente, a atuação das Faes deveria se restringir ao combate ao crime organizado e ao terrorismo, mas o Provea afirma que ele se transformou em um braço de repressão do regime. "Toda a cadeia de comando das Faes deve ser investigada e sancionada pelos numerosos abusos contra os direitos humanos cometidos por este esquadrão da morte", disse a ONG.
O próprio ditador indicou no discurso em que apresentou a nova força que ela poderia ser usada contra opositores, em especial contra o que ele classificou de "direita criminal e terrorista que tentou durante mais de cem dias fazer de nosso país um cenário de guerra para justificar uma intervenção estrangeira". Maduro se referia a onda de protestos contra seu governo que ocorreu no início de 2017. Inicialmente o grupo era formado por 80 agentes, seu contingente foi rapidamente ampliado e em julho de 2018 já eram 1.290 policiais.


