Em um terrível e previsível dia de desordem, palestinos deixaram suas mesquitas após as orações do meio-dia de ontem e entraram em choque com soldados israelenses, fazendo elevarem-se nuvens de fumaça e gás lacrimogêneo sobre quase todas as grandes cidades palestinas. O saldo do dia: quatro palestinos mortos, 150 feridos e mais um golpe contra a paz.
Os palestinos declararam as sextas-feiras, o sabá muçulmano, como ‘‘Dia da Ira’’ desde o início dos combates, há um mês. Em resposta ao chamado, milhares de atiradores de pedras – e um pequeno número de atiradores – participaram dos confrontos ocorridos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Militantes islâmicos pediam por novos ataques suicidas contra Israel. Eles gritavam: ‘‘Queremos uma grande bomba.’’
A renovada violência surgiu depois de poucos dias de relativa calma e pode vir a comprometer esforços do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, para retomar as conversações de paz.
Clinton se dispôs a fazer a mediação entre o primeiro-ministro israelense Ehud Barak e o líder palestino Yasser Arafat em diálogos separados em Washington.
Israel tem insistido que não irá retomar as negociações até que a calma seja restaurada. A facção Fatah, do líder palestino Yasser Arafat, tem dito que continuará encorajando a confrontação como forma de extrair concessões de Israel.
Em uma rotatória próxima à cidade cisjordaniana de Ramallah, a fumaça ácida de um carro em chamas encheu o ar enquanto soldados israelenses atiravam por trás de uma fileira de jipes. Em um determinado momento, atiradores palestinos dispararam contra os soldados israelenses, que assassinaram um palestino de 27 anos.
Outros três palestinos, entre eles um garoto de 15 anos, morreram em três incidentes separados – dois na Cisjordânia e um na passagem de Erez, entre Israel e Gaza.
No total, 152 palestinos e três soldados israelenses ficaram feridos, de acordo com médicos palestinos e o Exército de Israel. Trinta dias de combates já deixaram um saldo de 133 mortos, sendo mais de 120 deles palestinos. Mais de 5.000 palestinos foram feridos.
Representantes do primeiro-ministro israelense Ehud Barak e do chefe do Likud, principal formação de oposição de direita, Ariel Sharon, alcançaram ontem um acordo parcial sobre a formação de um gabinete de emergência nacional.
‘‘O representante de Sharon, o deputado Meir Cheetrit, e o de Barak, o ministro das Telecomunicações, Binyamin Ben Eliezer, conseguiram um acordo em quatro dos seis pontos que condicionam a formação de um gabinete de emergência nacional’’, disse Tami Shenkman, porta-voz de Ben Eliezer.
A porta-voz afirmou que ‘‘desconhece quais são os pontos ainda em litígio e quais foram aceitos’’.
‘‘As últimas questões serão sem dúvida tratadas diretamente por Barak e Sharon durante uma reunião que poderá ter lugar na noite deste sábado’’, acrescentou.
Barak reuniu-se na segunda-feira passada com Sharon para discutir as condições para a formação de um gabinete de união nacional. Essas primeiras discussões terminaram sem nenhum acordo em relação às condições colocadas por Sharon, que exige um direito de veto nos assuntos vinculados às negociações com os palestinos.