Onda de violência atinge o Líbano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de julho de 2004
Jihad Saqlaui<br>France Presse 
Aita Chaab, Líbano - A fronteira israelense-libanesa foi palco ontem de uma onda de violência que causou três mortes, um dia depois do assassinato de um dirigente do Hezbollah xiita libanês em um atentado em Beirute, atribuído a Israel.
A defesa antiaérea do Exército libanês, por sua vez, disparou contra caças-bombardeiros israelenses que sobrevoavam Beirute à baixa altitude e que em duas ocasiões romperam a barreira do som. Isso provocou explosões que danificaram alguns edifícios da capital e de sua região sul, semeando o pânico entre a população, que chegou a pensar em bombardeio, segundo os serviços de segurança.
Os helicópteros Apache, por sua vez, lançaram oito mísseis terra-ar sobre dois postos de observação do Hezbollah, situados a algumas centenas de metros do setor ocidental da fronteira entre Líbano e Israel.
Os helicópteros israelenses, que também sobrevoavam o setor, sob a cobertura dos caças-bombardeiros, dispararam tiros de metralhadoras nas proximidades destas posições, em especial nos povoados de Blatt e Aita Chaab, provocando vários incêndios nas plantações, constatou um correspondente da AFP.
Os ataques aéreos foram precedidos por um confronto entre a artilharia israelense e os combatentes da Resistência Islâmica, braço armado do Hezbollah, espalhados ao longo da fronteira com Israel, que acusam um ao outro de terem iniciado os disparos.
Um combatente do Hezbollah morreu vítima de um obus disparado de um tanque israelense, segundo um comunicado do grupo radical. O Exército e a rádio militar israelenses afirmaram que os atiradores do Hezbollah atacaram em uma emboscada uma posição militar da localidade de Zarit, a cerca de 15 km da costa mediterrânea, na qual morreram dois soldados.
Segundo um porta-voz israelense, o Exército respondeu atirando, ''destruindo uma posição do Hezbollah em território libanês''. Beirute decidiu recorrer ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em resposta a estas ''agressões israelenses''.
O chanceler Jean Obeid deu instruções ao representante permanente do Líbano junto à ONU para realizar ''consultas sobre a possibilidade de convocar uma reunião do Conselho de Segurança para condenar as agressões israelenses'', informou a diplomacia.
Os bombardeios israelenses provocaram uma tímida resposta da Defesa antiaérea do Hezbollah, que se comprometeu, em comunicado, a ''escolher o momento e o local oportunos para fazer o inimigo compreender que a agressão contra nosso povo e seus combatentes vai custar muito caro''.
A onda de violência paralisou as atividades na região da fronteira. Apenas os combatentes do Hezbollah andavam de bicicletas e armados com kalachnikov enquanto que patrulhas da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) percorriam as ruas do setor. Os moradores abandonaram suas plantações e se trancaram em casa.


