Onda de linchamentos é algo da pré-história
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2014
Lígia Mesquita<br>Folhapress 
Buenos Aires - Em discurso sobre os 32 anos de aniversário da Guerra das Malvinas, a presidente argentina Cristina Kirchner se referiu ontem, de maneira indireta, aos 12 casos de linchamentos a ladrões que aconteceram na Argentina nos últimos dias. "A vingança é algo da pré-história, do Estado de não Direito", afirmou a mandatária, ao reivindicar o "direito de todos conviverem civilizadamente, mesmo em circunstâncias extremas e difíceis".
Na segunda-feira, Cristina Kirchner já havia dito que a sociedade argentina precisava de "olhares e vozes que tragam tranquilidade, não desejos de vingança e ódio". A declaração da presidente, a segunda nesta semana, acontece em meio à politização dos casos de linchamento no país. A oposição critica a onda de violência e insegurança pela ausência do Estado.
O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, disse ontem que diante da falta de respostas das autoridades para a insegurança no país "prevalece a lei do mais forte".
O secretário de Segurança do país, Sérgio Berni, afirmou que as pessoas que estão promovendo os linchamentos "são assassinos".
Um dos episódios mais recentes aconteceu no bairro de Palermo, em Buenos Aires, famoso reduto de turistas por suas lojas, cafeterias e restaurantes.
Após roubar a bolsa de uma mulher, o ladrão foi pego por pessoas que estavam próximas ao local do assalto. Os vizinhos começaram então a espancá-lo. O criminoso foi salvo pelo porteiro de um edifício, que interveio. Em Rosário, província de Santa Fé, um ladrão de 18 anos morreu depois de ter sido espancado por moradores. Ele também havia roubado uma bolsa.


