São Paulo - Ao menos 16 pessoas, a maioria idosos, morreram ao norte da Itália nos últimos dois dias devido a intensa onda de calor que atinge o país, onde as temperaturas chegam a ser superiores a 30 graus. As mortes foram registradas em Vicenza e Milão. Segundo os médicos, o calor agrava problemas de saúde que envolvem o coração.
Na semana passada, as temperaturas em Milão, Florença e Turim chegaram a alcançar os 35º C. Segundo as estatísticas de 2003, divulgadas na segunda-feira, a Itália sofreu com uma onda de calor prolongada que deixou mais de oito mil mortos, de acordo com dados oficiais do ministério.
Dados não-oficiais citam até 20 mil mortos, segundo publicou o jornal italiano ''Corriere della Sera'' na segunda-feira. De acordo com o comunicado do ministério, os mais idosos devem ser monitorados constantemente pelas autoridades.
A onda de calor se converteu em um problema de saúde pública e obrigou as autoridades a organizar uma estratégia para amenizar os danos. Na Itália, a maioria das vítimas era de idosos ou deficientes físicos, mas também foi registrada a morte de um jovem de 18 anos que estava jogando futebol.
A situação não parece que vai melhorar, com previsões de 35 graus até amanhã, fazendo com que o ministro italiano da Sa© úde, Francesco Storace, falasse de até um milhão de pessoas em perigo. Diante deste panorama trágico, o Ministério da Saúde da Itália criou um serviço de assistência por telefone gratuito do qual participam 22 médicos, e na terça-feira autorizou excepcionalmente os hospitais a consultar os censos municipais para localizar os idosos.
Para a metade da semana espera-se que as temperaturas diminuam, como já está ocorrendo na Bélgica e em Portugal, onde oscilam entre 20º C e 27º C, após terem alcançado picos de 40º C. Na Espanha, onde a temperatura chegou a 40º C no sul, no centro e na Catalunha (nordeste), as temperaturas já baixaram durante o final de semana.
O desejado frescor poderá chegar precedido de tempestades, que já causaram apagões na França e na Suíça.
Portugal vive a pior seca dos últimos 60 anos, que pode ser considerada ''extrema'' na metade do território e ''severa'' na outra parte, mas o governo insiste em não declarar o estado de catástrofe natural, que permitiria indenizar os agricultores.
Já o governo espanhol desembolsou há uma semana 750 milhões de euros (cerca de 905 milhões de dólares) de ajuda de emergência. O calor faz com que haja maior uso dos aparelhos de ar condicionado, e o consequente gasto energético. Na terça-feira, a Itália bateu seu recorde histórico de consumo de energia elétrica com 54.100 megawatts.
A onda de calor também pode ser mortal para alguns animais que já começaram a sucumbir às altas temperaturas. Em Paris, os cadáveres de vinte cisnes flutuavam na segunda-feira no rio Sena e na República Tcheca vários peixes morreram em uma represa na região oeste do país por falta de oxigênio.

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