Bagdá - Em vários ataques sem precedentes, seis igrejas cristãs, sofreram atentados com carros-bomba ontem nas cidades de Bagdá (quatro igrejas) e Mossul (duas), causando a morte de pelo menos dez pessoas e deixando 50 feridos, um número que poderá aumentar nas próximas horas.
O Vaticano condenou os atentados praticados contra as igrejas no Iraque, um sinal de que há ‘‘intenção de fazer aumentar o clima de tensão’’, declarou o porta-voz, padre Ciro Benedettini.
‘‘É terrível e motivo de grande preocupação porque é a primeira vez que centros de culto cristão foram tomados como alvos’’, apesar de a Igreja Católica não ter medido esforços, estando sempre comprometida com a paz’’, acrescentou.
Na capital iraquiana, ocorreram quatro ataques contra três igrejas e um convento, que resultaram na morte de pelo menos nove pessoas.
Dois dos ataques aconteceram no bairro de Karrada. O primeiro carro-bomba, ‘‘conduzido por um camicaze’’, explodiu no fim da tarde, disse à AFP o agente de polícia Haidar Abdul Hussein. A explosão aconteceu perto de uma igreja cristã armênia, segundo um correspondente da AFP, que presenciou, pouco depois, uma segunda explosão, desta vez perto de um templo cristão sírio.
‘‘É um crime, é domingo, estávamos participando de uma missa, havia mulheres e crianças’’, declarou à AFP o monsenhor Raphael Kutami, da igreja síria. ‘‘Há muitos feridos, mas não sabemos quantos’’, acrescentou um sacerdote sírio.
No bairro de Dora, no sul de Bagdá, duas pessoas perderam a vida e outras três ficaram feridas n explosão de um carro-bomba na porta de um complexo religioso que abriga o seminário de São Pedro e a igreja de São Paulo, de ritual caldeu, segundo a polícia e o Ministério da Saúde.
Um quarto carro-bomba explodiu diante de uma igreja de ritual caldeu no leste de Bagdá, informou a polícia iraquiana.
Desta vez, o alvo era a Igreja de São Elias, em Bagdá al-Jadida, leste da capital. Um soldado americano que estava perto anunciou vários mortos e feridos.
Em Mossul, cidade que fica a 370km ao norte de Bagdá, dois carros-bomba explodiram em frente a uma igreja no começo da tarde, segundo o prefeito Mohammed Omar Taha. Pelo menos uma pessoa teria morrido no atentado.
Os cristãos do Iraque As minorias religiosas do Iraque, principalmente cristãos, constituem cerca de 3% da população, o que representa 700 mil dos 24 milhões de iraquianos, em maioria muçulmanos xiitas e sunitas.
A Constituição provisória iraquiana, assinada em março passado e que estará em vigor até as eleições gerais no país, garante ‘‘a liberdade de todas as religiões’’ embora reconheça que ‘‘o islã é a religião oficial do Estado e uma fonte da legislação’’.
A Constituição de julho de 1970, adotada durante o antigo regime, garantia a liberdade religiosa e proibia qualquer discriminação por motivos religiosos.
Muitos cristãos iraquianos ainda falam o aramaico, a língua de Jesus Cristo.
Os cristãos estão representados por um único ministro no governo interino de Iyad Allawi.
Desde o princípio dos anos 80, a pobreza e as guerras levaram muitos deles a abandonar Iraque. Em 15 anos, quase meio milhão de cristãos deixaram o país.

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