Genebra- A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou em 500 mil o número de feridos por causa do maremoto na Ásia e teme uma ''catástrofe sanitária'' se não for restabelecido rapidamente o acesso à água potável, disse um porta-voz da organização.
A OMS pediu ontem US$ 60 milhões para os seis próximos meses ''a fim de evitar uma grande catástrofe sanitária caso os problemas de água e sanitários não sejam solucionados rapidamente'', declarou à imprensa a porta-voz Fadela Chaib. ''A OMS estima em 500 mil pessoas o número de feridos'', acrescentou.
A agência da ONU já enviou às regiões afetadas uma quantidade de caixas de primeiros socorros suficientes para dois milhões de pessoas, bem como instrumentos cirúrgicos, medicamentos para diarréia e milhares de ''tabletes para purificar a água'', disse a porta-voz.
''Se não solucionarmos os problemas sanitários, podemos ter epidemias'', recordou Chaib, destacando que até agora não foi diagnosticada nenhuma epidemia nas regiões devastadas. ''Não temos no momento nenhuma informação sobre uma epidemia de cólera ou outra doença na região'', disse. ''Mas uma diarréia simples pode matar um menino em poucas horas caso ele fique desidratado'', acrescentou.
Para a OMS, as principais ameaças imediatas são as doenças que provocam diarréia (disenteria, tifo e cólera) e as infecções respiratórias agudas, seguidas ''nas próximas semanas pela malária e dengue'' pois a água parada favorece a proliferação de mosquitos transmissores destas duas doenças.
Traumatizados Especialistas em yoga percorreram ontem as aldeias devastadas pelo maremoto no sul da Índia para ajudar as pessoas traumatizadas, diante da grande escassez de profissionais qualificados a prestar auxílio psicológico.
Os yogues se juntaram a mais de 100 voluntários da organização não-governamental Fundação de Arte de Viver, para assessorar os angustiados aldeões. Satyojata Swami, que dirige a equipe do Arte de Viver, disse que seus voluntários ensinam ''técnicas básicas de yoga'' aos sobreviventes do tsunami.
''Trata-se de um desastre natural. Não vale a pena analisar o que aconteceu. Agora cada um deve salvar sua mente. É por isso que ensinamos técnicas de meditação, algumas orações e exercícios respiratórios'', declarou Swami. ''O melhor disto é que não está limitado a nenhuma religião. Fizemos o mesmo em vários lugares do mundo, como Kosovo e Iraque, e descobrimos que é muito enriquecedor'', explicou.
Entretanto, os médicos deixam claro que muitos sobreviventes, a maior parte de pescadores, não se recuperou do choque psicológico dos tsunamis.
Dharma Raj, de 55 anos, que perdeu uma perna em uma acidente com um bote há sete anos, continua sentado em uma pequenas tábua de madeira e olha o mar o tempo todo. Sua filha recém-casada, cujo esposo morreu no maremoto, acompanha-o.
V. S. Ananthan, um médico do governo que dirige uma equipe de 14 pessoas, disse que há uma enorme escassez de terapeutas. ''Na etapa atual, o mais importante é a assistência psicológica. E não há muita gente para fazer isto por aqui'', explicou.
Swami afirmou que os exercícios de dez minutos podem ser praticados por homens, mulheres e crianças. ''Tem um enfoque científico, já que nossa respiração e nossa mente estão conectados. Emoções diferentes têm formas diferentes de respiração. Nós os ensinamos como utilizá-las em seu próprio benefício'', disse.

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