São Paulo e Bruxelas, Bélgica - A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou nesta quarta-feira (17) que vai interromper os experimentos com hidroxicloroquina para tratamento de Covid-19 no estudo Solidarity, que está sendo realizado em vários países do mundo.

O Ministério da Saúde indica o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para casos leves e graves de Covid-19
O Ministério da Saúde indica o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para casos leves e graves de Covid-19 | Foto: George Frey/AFP

Segundo a organização, a revisão feita por um comitê independente e resultados de outros estudos mostraram que não houve redução na mortalidade dos doentes de Covid-19 que receberam a droga.

A OMS havia interrompido os estudos há algumas semanas para avaliar a segurança da droga (se ela aumentava a mortalidade), mas, naquele caso, não encontrou sinais de que houvesse risco em usá-la e retomou as pesquisas dias depois.

Segundo Ana Maria Henao Restrepo, líder do grupo de pesquisas sobre vacinas, a decisão não afeta as recomendações da OMS sobre o uso do medicamento -segundo a entidade, não há nenhum tratamento comprovado para o tratamento da Covid-19, e a hidroxicloroquina pode causar efeitos adversos sérios que podem levar à morte.

A decisão sobre não prosseguir os experimentos é tomada pelo comitê do Solidarity e independente das recomendações da organização.

No Brasil, o Ministério da Saúde indica o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para casos leves e graves de Covid-19, e nesta semana anunciou que vai ampliar a oferta dos remédios também para gestantes e crianças com suspeita da doença no país.

A pasta anunciou a medida no mesmo dia em que a FDA (agência que regula medicamentos nos Estados Unidos) revogou a autorização de uso emergencial do medicamento para tratar Covid-19 naquele país.

Acerca da dexametasona, o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan, declarou que o medicamento é uma opção apenas para pacientes com casos severos de Covid-19 internados em UTI, sob supervisão médica, e que seu uso pode trazer risco a outros pacientes.

Ele ressaltou que o corticosteroide não combate o vírus, mas reduz a inflamação provocada pela doença, o que deve estar permitindo que os pacientes continuem absorvendo o oxigênio na UTI.

Cientistas da Universidade de Oxford anunciaram na terça (16) que o medicamento reduz a mortalidade nos casos mais graves de Covid-19, a partir de ensaio clínico com 6.000 pacientes ainda não publicado em revista científica.

"Isto não é para casos leves nem para prevenir a doença. Na verdade, esteroides, principalmente esteroides poderosos, podem estar associados com a replicação de vírus, ou seja, eles podem facilitar a divisão e a replicação dos vírus no corpo. Por isso é excepcionalmente importante que esse medicamento seja reservado para casos severos."

Entre os efeitos colaterais estão o aumento da glicose e da fraqueza muscular. Aumento na pressão arterial também pode ser observado, segundo especialistas.

Ryan afirmou que os dados - ainda preliminares, segundo a OMS - serão analisados pela organização, com resultados de outros trabalhos semelhantes, para atualizar as recomendações de tratamento da doença.

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