OLP discute proclamação de Estado
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sábado, 09 de setembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Os palestinos devem adiar a proclamação de seu Estado independente, inicialmente prevista para a próxima quarta-feira, de acordo com funcionários governamentais da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e analistas políticos consultados pela Folha de S.Paulo.
A declaração de independência viria em 15 de novembro, data em que o líder palestino Iasser Arafat declarou a fundação de um Estado soberano em 1988, na Argélia.
Outra alternativa, menos provável, seria o dia 1º de janeiro, que comemora o nascimento, 35 anos atrás, do principal grupo político palestino, o Fatah ao qual pertence o presidente da ANP.
O Conselho Central Palestino (CCP, miniparlamento da Organização para a Libertação da Palestina, com 124 membros), reunido em Gaza para discutir um possível adiamento, anunciaria ontem à tarde uma decisão oficial.
A medida fortalece Arafat, segundo o cientista político Nawad Amari. Com o adiamento, ele ganha tempo para derrubar ao menos algumas das negativas israelenses ditas inegociáveis: o retorno dos refugiados (mais de 3,5 milhões), o estabelecimento de Jerusalém como capital palestina e o desmantelamento, ainda que parcial, das colônias judaicas nos territórios ocupados, cuja expansão foi recorde no último ano, disse à Folha de S.Paulo, por telefone, Amari.
Com a popularidade em alta após afirmar, em Camp David (EUA), que ainda não nasceu um líder árabe que desistirá de Jerusalém, Arafat controla temporariamente o barril de pólvora da insatisfação palestina, intensa sobretudo entre os jovens segundo o Escritório Palestino de Estatística, 73% da população da Cisjordânia, de Gaza e de Jerusalém Oriental tem menos de 35 anos.
Como a última palavra é do CCP, Arafat mantém a imagem de líder firme, disposto a respeitar decisões consensuais, ao mesmo tempo em que busca trunfos como a devolução de mais territórios (os palestinos controlam apenas cerca de 40% da Cisjordânia) e melhoras estruturais, explica Amari, que vive em Jerusalém.
Após a euforia inicial decorrente do anúncio formal de um Estado soberano, teme-se o início de uma revolta popular assim que os palestinos perceberem que são cidadãos de um país superpovoado e irregular, uma colcha de retalhos de bantustões (áreas isoladas e com acesso restrito), com graves deficiências na infra-estrutura, em especial no abastecimento de água e no sistema de esgoto.
Às árduas condições de vida que enfrentam há mais de 50 anos, devido à ocupação israelense, somam-se as denúncias de corrupção e abuso de autoridade contra as autoridades palestinas.


