OLP adia proclamação
Os líderes da Organização de Libertação da Palestina (OLP) decidiram nesta quarta-feira não declarar um Estado independente na terça-feira, 4 de maio, deixando a resolução sobre o assunto para depois das eleições gerais israelenses, no dia 17, informou ontem em Gaza um membro do Conselho Central Palestino (CCP).
Segundo Nabil Amr, que integra tanto o Parlamento reduzido da OLP como a Autoridade Palestina (AP), o conselho decidiu continuar discutindo a questão em sessão permanente.
Indagado sobre se isso significa que as deliberações continuarão até depois do dia 17, Amr afirmou: Sim, essa é a decisão. Os conselheiros encarregaram uma comissão de 12 integrantes de redigir uma posição formal sobre o assunto, que poderia ser divulgada ainda ontem.
A decisão foi saudada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que ameaçava anexar partes da Faixa de Gaza e da Cisjordânia se o presidente da AP e da OLP, Yasser Arafat, seguisse em frente com o plano de proclamar a independência unilateralmente.
O CCP, de 124 membros, iniciou terça-feira uma sessão extraordinária em Gaza para discutir a antiga promessa de Arafat de proclamar a independência em 4 de maio, quando vencem os cinco anos de autonomia interina palestina previstos nos acordos de paz com Israel. Mas, no primeiro dia de sessão, Arafat anunciou uma mudança de estratégia.
Não temos de consagrar nosso Estado porque já estamos praticando a condição de Estado, disse ele ao CCP (dominado por seus partidários), referindo-se ao fato de a AP governar parcialmente a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Estamos passando por um período muito delicado na história de nosso povo, durante o qual não podemos cometer erros.
Arafat voltou atrás diante da pressão dos Estados Unidos, da União Européia e de governos árabes para abster-se de tomar uma decisão unilateral e da possibilidade de que a proclamação de independência acabasse servindo de munição para a candidatura do direitista Bibi à reeleição.
Para permitir o recuo de Arafat, o presidente norte-americano Bill Clinton propôs a realização de uma reunião de cúpula com ele e o líder israelense depois das eleições, com o objetivo de lançar negociações aceleradas para alcançar em até um ano um acordo sobre o status final da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.France PresseMudança estratégicaYasser Arafat voltou atrás depois de pressionado por Estados Unidos, União Européia e estados árabes: Estamos passando por um período muito delicado na história de nosso povo, durante o qual não podemos cometer errosAssociated Press





