Jerusalém - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, sugeriu ontem, durante uma reunião com o presidente palestino, Mahmud Abbas, a conclusão até o fim deste ano de um acordo de paz que exclua a questão de Jerusalém.
No entanto, a parte palestina rejeitou imediatamente qualquer acordo que não inclua uma solução sobre o estatuto da cidade santa.
''As duas partes querem chegar a um acordo geral até o fim deste ano, e acreditam que é possível'', declarou ao término da reunião um alto representante israelense, que não quis ser identificado.
''Porém, como é impossível resolver a questão de Jerusalém dentro deste prazo, é preciso que as partes adiem provisoriamente as discussões sobre este problema específico, e criem um mecanismo e um cronograma'', acrescentou.
''Sem a parte leste de Jerusalém como capital de um Estado palestino, qual seria o sentido de um acordo?'', respondeu Saeb Erakat, um dos principais negociadores palestinos.
''Não vamos concordar com um acordo parcial que adie a questão de Jerusalém'', insistiu Erakat durante uma entrevista coletiva em Ramallah, na Cisjordânia.
Ele reafirmou o pedido palestino de congelamento da colonização israelense, e anunciou que ''as negociações vão continuar pelo tempo que for preciso para chegar a um acordo que acabe com a ocupação'' israelense.
A reunião de ontem, realizada na residência oficial de Olmert em Jerusalém, durou quase duas horas e teve a participação dos chefes das equipes de negociadores das duas partes, a chanceler israelense Tzipi Livni e o ex-primeiro-ministro palestino Ahmad Qorei.
Mark Reguev, porta-voz do governo israelense, garantiu que a renúncia anunciada de Olmert, envolvido em vários escândalos de corrupção, ''não afeta as discussões''.
Ehud Olmert deve renunciar depois das primárias de seu partido, o Kadima (centro), previstas para o dia 17 de setembro.
No entanto, ele continuará exercendo o poder durante vários meses, até que um novo governo seja formado ou que eleições antecipadas sejam organizadas.
Segundo a rádio pública israelense, Olmert deseja chegar a um acordo geral que poderia apresentar, junto com Abbas, à Casa Branca no próximo mês, mesmo se for necessário para isso deixar de lado os pontos mais polêmicos.
Já os palestinos querem o acordo mais explícito possível.

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