Óleo já poluiu 90 praias da Espanha
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quinta-feira, 21 de novembro de 2002
France Presse 
Espanha - Um dia depois do naufrágio do petroleiro liberiano ''Prestige'', que deixou vazar milhares de toneladas de combustível antes de afundar no mar, a população e autoridades da Galícia (Noroeste) estão em estado de alerta diante da possibilidade de novas manchas de óleo chegarem ao seu litoral.
Não se pode dizer com certeza até agora qual a quantidade de óleo derramada durante os sete dias em que a embarcação errou pelo Atlântico, mas é certo que se trata de uma das piores tragédias ecológicas dos últimos anos.
O vazamento de óleo do Prestige deve ter consequências muito graves para a Galícia, região espanhola que depende quase que exclusivamente da pesca. De acordo com uma hipótese otimista, ainda estão dentro do navio 65 mil das 77 mil toneladas de óleo que o petroleiro levava em seus tanques.
As autoridades locais observam com imensa atenção as manchas de petróelo para evitar que cheguem aos rios e os pescadores colocaram linhas de proteção na entrada dos estuários entre o Vigo e Finisterre, onde são criados mariscos.
As milhares de toneladas de petróleo derramadas pelo Prestige poluíram 295 km de costas no noroeste da Espanha e a avaliação de danos chega a 42 milhões de dólares, segundo o ministro espanhol do Meio Ambiente, Jaume Matas.
Desses 295 km de costas, cerca de 90 prais que representam 40 km e uma superfície total de 1,5 milhão de metros quadrados entre La Coruna e Cabo Finisterre foram atingidas pelas camadas de óleo, afirmou Matas, segundo um balanço preliminar.
O ministro precisou que a limpeza do litoral galego levará seis meses. O governo não deu ainda cifras precisas sobre a quantidade de óleo derramado, apesar de adiantar estimativas de 4.000 toneladas em um primeiro momento e 6.000 depois que o petroleiro se partiu ao meio.
O governo espanhol iniciou uma série de ações judiciais contra a companhia seguradora do petroleiro Prestige, a London Steamship Owners Mutuan Insurence Asociation Limited (P&I), pelos danos causados pelo derramento de óleo do navio liberiano nas costas do noroeste do país.
Para abrir o processo de possíveis queixas por danos e gastos, as autoridades espanholas também informaram ao Fundo Internacional de Indenização de Danos devido à Contaminação por Hidrocarburetos (FIDAC), com sede em Londres, precisou o comunicado.
O Prestige afundou na terça-feira a 250 km das costas galegas, a 3.500 metros de profundidade. Inicialmente transportava 77.000 toneladas de petróleo, mas perdeu 10.000 toneladas de hidrocarbureto, segundo estimativas das autoridades espanholas.


