Oito mil pessoas podem ter morrido no maremoto
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terça-feira, 21 de julho de 1998
Sarah Stewart France Presse 
Oito mil pessoas podem ter morrido no gigantesco maremoto que devastou a costa norte de Papua-Nova Guiné sexta-feira passada. A fome e as epidemias podem aumentar o balanço de vítimas, disse ontem Monsenhor Cesare Bonivento, bispo da região. Conforme o prelado, fontes oficiais australianas disseram que apenas 500 sobreviventes foram resgatados da região com o uso de um avião. Antes da catástrofe, a paróquia do bispo Bonivento tinha 8.000 habitantes e toda a região das sete localidades arrasadas tinha 10.000 pessoas.
Segundo o religioso, pode haver mais sobreviventes refugiados nas colinas do interior, mas ele não acredita que sejam mais de 1.500. Isso pode fazer o número de mortos chegar a 8.000, concluiu.
Além disso, a falta de água potável e os inúmeros corpos em decomposição que ainda estão na lagoa costeira dos sete povoados ameaçam propagar a febre tifóide, a cólera e a lepra, segundo os socorristas.
O primeiro-ministro Bill Skate, que visitou a região, confirmou que por enquanto o balanço oficial é de 1.200 mortos e talvez 5.000 desaparecidos. Temos que estabelecer o verdadeiro balanço, disse à imprensa.
As operações de busca de sobreviventes refugiados na selva continuam, enquanto um avião Hércules C-130 australiano, carregado de alimentos e medicamentos, chegou ao local.
O avião também trouxe 5.000 sacos para os cadáveres, mas quase todos já foram enterrados. Os socorristas têm ordem de matar os porcos e cachorros que cavarem os covas.
Os médicos australianos que lideram a operação internacional de socorro alertaram os sobreviventes sobre o perigo de pneumonia, por causa da água do mar ingerida quando lutavam contra as ondas. Os mais expostos são as crianças, informou o major Paul Taylor, diretor do hospital de campanha de Vanimo.
Uma sobrevivente da localidade de Arup contou como o maremoto levou seu bebê de dois meses. O marido dela e dois de seus nove filhos também morreram em consequência da tragédia.


