OIT aponta que um quarto da humanidade vive na miséria
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quarta-feira, 21 de junho de 2000
France Presse De Genebra 
Um quarto da Humanidade vive na miséria, afirma o Departamento Internacional do Trabalho (OIT, secretaria permanente da Organização Internacional do Trabalho), na edição 2000 de seu relatório.
Cerca de 1,5 bilhão de pessoas dispõem de menos de um dólar por dia para subsistir. Nos países em desenvolvimento, cerca de um terço da população vive com menos de um dólar por dia, 30% dos adultos são analfabetos, 30% não têm acesso à água potável e 30% das crianças menores de cinco anos têm um peso inferior à média normal.
Segundo a OIT, mais de 40% dos habitantes da África ao Sul do Deserto do Saara e do Sul da Ásia vivem na miséria. Recentemente, a população pobre aumentou em 200 milhões de pessoas. As regiões onde a miséria se alastrou mais foram a África ao sul do Saara, os países do Leste Europeu e mais a Ásia central e o Sudeste Asiático.
A grande maioria da população de vários países em vias de desenvolvimento não goza de nenhuma proteção social, afirma o estudo. Não existe praticamente nenhuma proteção para os trabalhadores do setor informal, que conta com 750 a 900 milhões de trabalhadores subempregados.
Dos 150 milhões de desempregados contabilizados oficialmente, apenas um quarto se beneficia de alguma forma de seguro-desemprego. Os que tiveram a oportunidade de estar cobertos por um seguro-desemprego se concentram nos países industrializados e são, em sua grande maioria, trabalhadores com contrato.
Austrália, Canadá, Irlanda, Japão, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos dispõem de sistemas de proteção denominados intermediários: a proporção de desempregados que recebem subsídios por desemprego é menor e o número de prestações para adquirir o benefício é inferior.
A ampliação da abrangência da proteção social deve ser o objetivo principal dos governos, conclui a OIT. Com esse objetivo, o apoio do Estado em termos de financiamento, de formação e de regulamentação é indispensávl em nível nacional e local, diz o relatório.
Em alguns países existem programas de proteção social a partir de uma base territorial e profissional. Esses grupos de mutuários foram criados geralmente por trabalhadores independentes e do setor informal, na maioria das vezes com o apoio de ONGs e sindicatos. A ampliação e a reprodução destes mecanismos de proteção social precisa de todo apoio das autoridades locais e nações, recomenda a OIT.


