São Paulo - O presidente americano, George W. Bush, oficializou ontem a nomeação do jurista Samuel Alito, 55 anos, para a Suprema Corte dos Estados Unidos, no lugar de Harriet Miers, 60, que se retirou na semana passada, após pesadas críticas sobre sua competência em assumir o lugar deixado pela juíza Sandra Day O'Connor, que deve se aposentar.
Bush espera, com a indicação de Alito, aplacar os ânimos em seu governo, abalado na semana passada por uma série desastrosa de acontecimentos, que começou com a divulgação do número de soldados americanos mortos no Iraque, ultrapassando os dois mil, a lenta resposta do governo às vítimas do furacão Katrina, que devastou a cidade de Nova Orleans (Louisiana) em agosto passado, e o indiciamento do ex-assessor do vice-presidente americano, Dick Cheney, Lewis Libby, acusado de vazar informações sobre a identidade de uma agente da CIA.
A escolha de Alito poderá trazer um período de calmaria ao Partido Republicano de Bush, que foi contra a indicação de Miers. Apesar disso, deverá movimentar os ânimos dos democratas, que fazem oposição a Bush.
Nos Estados Unidos, quando um funcionário é escalado para ocupar um alto cargo de qualquer poder (Legislativo, Executivo ou Judiciário), tem que passar por uma sabatina promovida pelos parlamentares.
Diferentemente de Miers, que nunca esteve em uma corte, Alito foi um dos mais conservadores juízes a atuar no 3º Circuito de Apelações dos EUA, desde que o presidente George Bush pai o colocou nesse cargo, em 1990.
Devido a sua postura, ele já ganhou vários apelidos entre seus colegas, como ''Scalito'' ou ''Scalia-lite'' (em tradução livre, a versão ''light'') do antigo juiz da Suprema Corte Antonin Scalia, conhecido por chegar até mesmo a agredir advogados durante julgamentos.

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