Ofensiva terrestre deixa mais longe fim da guerra
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de janeiro de 2009
Folhapress 
São Paulo - Ao menos 35 palestinos morreram e 140 ficaram feridos desde o início da ofensiva terrestre israelense, anteontem, na faixa de Gaza. O movimento islâmico radical Hamas reivindica a morte de cinco soldados israelenses nos confrontos - uma delas foi confirmada.
A maioria dos palestinos mortos são civis, informou o vice-ministro de Saúde do Hamas, Hassan Yalaf. Segundo o jornal israelense ''Haaretz'', ao menos três das vítimas eram militantes do Hamas, que não admitiu as mortes.
Ontem foi o nono dia consecutivo da ofensiva israelense contra alvos do Hamas na faixa de Gaza, que já deixa 460 mortos e cerca de 2.350 feridos. Desde sábado, as Forças de Defesa israelenses ampliaram a ofensiva aérea e naval com a invasão de Gaza com tanques e artilharias, uma medida que reduz ainda mais as esperanças de uma saída diplomática para o confronto e que deve aumentar significativamente o número de civis mortos.
A situação no principal hospital de Gaza é dramática. O fornecimento de energia foi cortado há dois dias e não há remédios nem pessoal para atendimentos de emergência. ''Usamos geradores que podem parar a qualquer momento porque não temos reservas de combustível'', disse o vice-ministro.
Segundo Yalaf, o hospital está totalmente lotado e a situação é angustiante. Israel mantém a fronteiras fechadas e informou ontem que não permitirá a passagem de carregamentos com ajuda humanitária, alimentos e remédios, devido aos ataques terrestres.
Segundo testemunhas, os militares israelenses mantêm mais de 80 tanques, veículos blindados e escavadeiras no antigo assentamento judaico de Mitzarin. As tropas dividiram a faixa de Gaza em duas partes para reduzir o fluxo de armas, suprimentos e militantes para a parte norte da região.
Na Cidade de Gaza, é possível ouvir os aviões israelenses e as explosões e disparos da artilharia. As ruas estão desertas, com dezenas de edifícios destruídos, entre eles o Parlamento do Hamas.
Reação
Após o primeiro dia de ofensiva militar por terra, vários países e líderes mundiais se manifestaram contra a violência no território, exigindo imediato cessar-fogo.
Uma delegação da União Europeia (UE) viajou para o Oriente Médio com a missão de alcançar o cessar-fogo. ''Estamos preocupados com a situação em Gaza, principalmente a situação humanitária'', declarou a comissária de Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner. ''É absolutamente necessário acabar com a violência dos dois lados'', acrescentou.
O Egito, que faz fronteira com a faixa de Gaza, chamou a ofensiva terrestre de Israel de ''agressão selvagem''. Em nota o governo culpou Israel pelos ''inocentes civis martirizados e feridos''. O Egito fez um apelo para uma imediata ação do Conselho de Segurança da ONU para punir Israel pelas agressões.
Diante da pressão internacional para um cessar-fogo, diplomatas israelenses se mobilizaram para justificar a invasão terrestre. A ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, disse que a intensa atividade diplomática de Israel nos últimos dias tem como objetivo ''amenizar e adiar a pressão para alcançar um cessar-fogo''.
O próximo passo das tropas de Israel na invasão por terra na faixa de Gaza é controlar as áreas de onde os militantes palestinos lançam foguetes contra regiões israelenses. É essa uma das metas traçadas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) na ofensiva terrestre para combater o grupo radical islâmico Hamas.


