Cairo - Do Papa Bento XVI à ONU, passando por manifestações nos países árabes, as reações se multiplicaram no mundo para denunciar a morte de civis e para pedir o fim da ofensiva israelense na Faixa de Gaza. Mais de cem palestinos morreram nos últimos dias, entre eles militantes, mas também mulheres e crianças.
Reunido de urgência a pedido do presidente palestino Mahmoud Abbas, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou na madrugada de ontem a escalada de violência na Faixa de Gaza e no sul de Israel, e conclamou as partes a respeitarem suas obrigações à luz do direito internacional.
O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon mostrou-se, antes, inquieto com a ''escalada profundamente alarmante da violência em Gaza e no sul de Israel, com um número terrível de vítimas civis''. Atacou ''o uso desproporcional e excessivo da força que matou e feriu tantos civis, entre eles crianças''.
No Vaticano, o Papa Bento XVI fez um novo apelo ao cessar incondicional dos confrontos entre Israel e a Faixa de Gaza durante a bênção do Angelus na Praça de São Pedro. ''Renovo o chamado às autoridades para que cesse esta espiral de violência, unilateralmente e sem condições'', declarou Bento XVI.
Os Estados Unidos fizeram um apelo ao fim da violência, mas reafirmando o direito de Israel a se defender. A França também condenou os tiros de foguete e a operação militar israelense.
A ofensiva também motivou reações de indignação no mundo árabe. Milhares de estudantes se manifestaram no Egito, queimando bandeiras israelenses e americanas e exigindo dos governos árabes que fizessem cessar a operação israelense. O Cairo autorizou a passagem por seu território dos palestinos gravemente feridos.
A Organização da Conferência Islâmica (OCI) anunciou o envio de ajuda humanitária a Gaza, qualificando de ''crime de guerra'' a ofensiva israelense. A Arábia Saudita não hesitou em comparar esta ofensiva aos crimes de guerra nazistas.
No Marrocos, 1.500 pessoas, em maioria islamitas, ocuparam as ruas em Rabat. A Mauritânia considerou a operação israelense ''punição coletiva''. O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad clamou que os dirigentes israelenses sejam levados à justiça ''um por um'' para ''cada criança morta'' nos territórios.
Milhares de palestinos foram às ruas em várias cidades e acampamentos de refugiados da Cisjordânia. Houve vários incidentes com as forças israelenses durante a manifestação. Cerca de 20 palestinos foram atingidos por disparos de balas de borracha, segundo fontes palestinas.
Sem esperança
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou ontem que a ofensiva militar na faixa de Gaza não será interrompida ''nem por um segundo''. As operações israelenses na região fizeram de ontem o dia mais sangrento para os palestinos desde a última intifada contra a ocupação israelense, no início de 2000.

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