A Organização dos Estados Americanos (OEA) reconheceu a reeleição do presidente peruano, Alberto Fujimori, ao aprovar anteontem à noite – a convite de Lima- o envio de missão de alto nível que patrocinará negociações entre o Governo e a oposição para fortalecer a democracia no Peru, sem revisar a polêmica votação de 28 de maio.
O presidente da 30ª Assembléia Geral da OEA, o chanceler canadense Lloyd Axworthy, admitiu que a reeleição de Fujimori ‘‘é uma realidade’’, mas destacou que ficou implícito um compromisso de tomar medidas para corrigir as deficiências observadas nas eleições peruanas.
O compromisso ‘‘salomônico’’ conseguido pela OEA não deve ser visto por ninguém em termos de vitória ou derrota, comentou por sua vez o chanceler peruano Fernando de Trazegnies, mas como um acordo em que todas as partes reconheceram a necessidade de preservar a estabilidade no Peru.
Para a oposição peruana, a decisão da OEA de cobrar de Fujimori reformas democráticas e, desta vez, monitorá-las de perto, representa uma vitória. Segundo o deputado Diego Garcia Sayan, o texto da resolução, dá margem para negociar uma antecipação das próximas eleições presidenciais.
‘‘As eleições do último dia 28 de maio mesmo fraudulentas são um fato consumado’’, explicou Sayan. ‘‘Mas a reforma do sistema eleitoral, prevista na resolução, dá margem para negociarmos uma antecipação das próximas eleições, que só seriam realizadas dentro de cinco anos’’, acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, indicou que o Brasil usará a reunião dos líderes da América do Sul, que o presidente Fernando Henrique Cardoso convocou para Brasília, no dia 31 de agosto, para reafirmar o compromisso que assumiu junto com os demais países do hemisfério de apoiar e trabalhar pela democratização do Peru. (Com Associated Press)

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