OEA limita-se a criticar a eleição realizada no Peru
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segunda-feira, 05 de junho de 2000
Associated Press De Windsor 
Com sua credibilidade mais uma vez posta em questão, a Organização dos Estados Americanos (OEA) caminhava no início da noite de ontem para uma débil solução de compromisso sobre da crise política peruana.
Diante da resistência da maioria dos países da América Latina a qualquer forma explícita de condenação ao governo do presidente Alberto Fujimori pelas irregularidades que marcaram o processo eleitoral, os chanceleres dos 34 governos eleitos do continente alinhavavam uma resolução na qual manifestavam sua preocupação com a credibilidade do processo que culminou com a contestada vitória de Fujimori e decidiam enviar uma missão de alto nível a Lima.
Fujimori não conseguiu tudo o que queria. Não obteve, por exemplo, o reconhecimento explícito do resultado da eleição. O candidato da oposição, Alejandro Toledo, retirou-se da corrida em sinal de protesto.
Além disso, terá de receber em Lima uma missão da OEA, um fato que representa em si mesmo uma manifestação da apreensão da região sobre a maneira como está conduzindo o processo político seu país.
A visita da missão, que deve ocorrer num prazo de três semanas, antes da proclamação do resultado da eleição, no dia 28 de julho, será um evento que a oposição peruana certamente usará para colocar a administração de Fujimori contra a parede e fortalecer-se para a grande negociação política que, supostamente, se seguirá.
A missão será constituída pelo atual presidente da Assembléia Geral da organização, o chanceler canadense Lloyd Axworthy, e por seu secretário-geral, Cesar Gavíria.
Nas discussões em Windsor, Axworthy batalhou por uma condenação explícita do Peru e Gavíria fez uma veemente defesa da conduta da missão de observação da OEA, liderada pelo ex-chanceler da Guatemala, Eduardo Stein, diante das críticas que lhe foram feitas por Fujimori. Tais críticas, sobre a parcialidade do trabalho de Stein, são compartilhadas por outros países - entre eles o Brasil - e provocaram uma intensa discussão paralela sobre o futuro das missões de observação eleitoral da OEA.
A proposta de resolução, apresentada pelo Canadá, foi classificada por membros da delegação dos Estados Unidos como o mínimo necessário para preservar a credibilidade da OEA.
Mas ela certamente ficou muito aquém do que Washington chegou a pretender, em sua primeira reação às eleições, que Fujimori realizou ignorando um pedido de adiamento do pleito por 8 dias.


