A legitimidade das eleições peruanas voltará a ser discutida – desta vez pelos chanceleres dos 34 países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA). A reunião ministerial será em Windsor, no Canadá, entre domingo e terça-feira, uma semana depois de o presidente do Peru, Alberto Fujimori, ter comemorado a conquista de seu terceiro mandato.
A decisão, de elevar a uma instância mais alta a discussão sobre a falta de transparência do processo eleitoral peruano, foi tomada ontem na reunião do Conselho Permanente da OEA.
A reunião de ontem foi convocada, a pedido dos Estados Unidos, para ouvir o relatório preliminar de Eduardo Stein – chefe da missão de observadores enviada pela OEA a pedido do governo peruano, para acompanhar de perto as eleições. Ele explicou os motivos que o levaram a criticar a falta de transparência do processo.
Stein citou desde o acesso limitado dos candidatos da oposição aos canais de televisão até as denúncias de que 1 milhão de votos teriam sido fraudados. Mas a gota d’água foi a decisão do governo peruano de ignorar as recomendações da OEA, para adiar as eleições presidenciais e aperfeiçoar o sistema de contagem de votos.
A embaixadora do Peru junto à OEA, Beatriz Ramacciotti, defendeu seu país argumentando que as eleições presidenciais foram realizadas na data marcada porque é o que estabelece a Constituição peruana.
No outro extremo da polêmica estavam os Estados Unidos, cujo embaixador, Luis Lauredo, pronunciou um discurso mais duro. Argumentando que a OEA tem a responsabilidade de promover e defender a democracia na região, ele propôs levar o debate aos chanceleres. Mas Lauredo sugeriu convocar a reunião ministerial por meio da Resolução 1.080 da OEA.
O Brasil destacou-se por sua posição moderada, de defender a democracia por um lado e defender os princípios de não-intervenção em assuntos internos, por outro.

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