Associated Press
De Sarajevo
O presidente Bill Clinton anunciou ontem uma pacote de ajuda de US$ 700 milhões para promover a estabilidade e prosperidade dos Bálcãs, palco de quatro guerras nesta década. ‘‘Não é suficiente encerrar uma guerra’’, assinalou. ‘‘Precisamos construir a paz.’’ Os EUA deverão eliminar tarifas sobre a importação de vários produtos da região e criar fundos de investimentos com o objetivo de canalizar centenas de milhões de dólares para lá. Clinton pediu que a União Européia também dê à região mais pobre do continente maior acesso a seus mercados, mas reiterou que a Sérvia - a qual, com Montenegro, forma a Federação Iugoslava - só receberá ajuda humanitária ‘‘quando se democratizar’’.
‘‘A Sérvia só vai ter futuro quando o sr. Milosevic e suas políticas forem relegados ao passado’’, afirmou Clinton. Para isso, ele anunciou que pedirá ao Congresso americano que aprove uma ajuda de US$ 10 milhões para sindicatos, grupos de oposição e organizações independentes de notícias da Sérvia que queiram promover a democracia. Um setor da desunida oposição sérvia, a Aliança pela Mudança, tem organizado protestos diários contra Milosevic. O de ontem, realizado em Leskovac, reuniu 4 mil pessoas.
No entanto, a Rússia, tradicional aliada sérvia, impediu que fosse incluída uma referência crítica a Milosevic na declaração final da cúpula e advertiu que a não-concessão de ajuda à maior república iugoslava pode provocar uma tragédia humana no inverno. ‘‘Nós não nos associamos a esse vínculo estreito entre a ajuda e (a saída de) Milosevic’’, afirmou o primeiro-ministro russo, Serguei Stepashin. Ele disse não ter ‘‘apreensões sérias’’ em relação ao Pacto de Estabilidade, mas afirmou que excluir a Sérvia dessa iniciativa pode ser um obstáculo para a obtenção da duradoura paz pretendida e, no fim, a população é que acabará sendo prejudicada. ‘‘Dez milhões de pessoas estarão à beira de dificuldades muito grandes no inverno. Elas terão necessidade de assistência, e não apenas humanitária.’’

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