Ocidente pressiona Milosevic
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de dezembro de 1996
France Presse 
BELGRADO - O Ocidente intensificou sua pressão sobre o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, que continua inflexível diante das ações da oposição, que ontem organizou novas manifestações, no vigésimo quarto dia consecutivo de protestos, em Belgrado e no interior do país.
O ministro italiano das Relações Exteriores, Lamberto Dini, na primeira visita de um alto responsável ocidental à capital sérvia desde o início da crise, foi recebido ontem por Milosevic.
Lamberto Dini, que chega como porta-voz da comunidade internacional, expressará ao presidente sérvio a preocupação dos ocidentais depois da decisão de anular os resultados das eleições municipais de 17 de novembro passado.
Em Bruxelas, o ministro russo das Relações Exteriores, Evgueni Primakov, defendeu o papel chave do presidente Milosevic na manutenção da paz na ex-Iugoslávia, informou uma fonte diplomática belga.
A anulação das eleições municipais, que privou a oposição de sua vitória em Belgrado e nas principais cidades sérvias, desencadeou este movimento de protesto sem precedentes contra Milosevic.
O secretário de Estado americano Warren Christopher indicou que os Estados Unidos apóiam a ação de Dini, apesar de Washington aparentemente querer boicotar Milosevic, anulando uma entrevista de John Kornblum, o secretário de Estado adjunto para assuntos europeus e canadenses, com o presidente sérvio.
Sem sanções A oposição reunida na coalizão Juntos pediu aos ocidentais que não utilizem sanções, que isolariam totalmente seu país.
Nós queremos pedir aos líderes do mundo inteiro que nos apóiam que não isolem a Sérvia para castigar Milosevic. É ele quem deve partir, declarou uma líder da oposição, Vesna Pesic.
Uma delegação de parlamentares alemães, dirigida por Christian Schwarz Schilling, deputado cristão-democrata (CDU), e um dos mediadores para a região de Brcko (nordeste da Bósnia), também viajará a Belgrado. Essa delegação espara poder reunir-se com o presidente sérvio.
A oposição mantém também a pressão sobre Milosevic e estão previstas novas manifestações nos próximos dias. Também estão programadas greves em várias fábricas de Belgrado.
Pela primeira vez ontem, operários de Belgrado, Nis (sul) e Kragujevac (centro) pararam o trabalho, obedecendo à convocação do sindicato independente Nezavisnost, em apoio ao movimento opositor.
Mas esta greve não obteve o apoio maciço que se esperava e as primeiras paralisações foram muito limitadas.


