Ocidente estuda sanções contra a Índia
Ocidente estuda sanções contra a Índia
Testes nucleares da Índia causam consternação em todo o mundo, mas o governo de Nova Délhi obtém apoio interno unânime
Deutsche Presse
e France Presse
France Presse
PokhranA então premier Indira Gandhi inspeciona local da explosão de 74Os testes nucleares realizados anteontem pela Índia provocaram críticas e consternação em todo o mundo, apesar de o governo de Nova Délhi, que goza do apoio de praticamente todos os partidos e da ampla maioria do país, não mudar sua posição sobre o assunto.
O governo encabeçado pelo líder do Partido Nacionalista Hindu, Atal Behari Vajpayee, enfatizou ao assumir o poder, há dois meses, que pretendia exercer a opção de desenvolver armas nucleares.
A União Européia (UE) decidiu enviar uma delegação a Nova Délhi para expressar sua consternação pelos testes. A Alemanha, por sua vez, suspendeu conversações previstas para ontem com representantes do governo da Índia sobre ajuda ao desenvolvimento.
O presidente russo, Boris Yeltsin, mostrou-se decepcionado com o governo indiano e o convidou a aderir brevemente ao tratado de proibição de testes nucleares. A China se mostrou seriamente preocupada, mas reagiu, dentro do possível, com moderação.
Japão e Espanha sugeriram a possibilidade de sanções, enquanto a Austrália, Nova Zelândia e a comunidade de estados do sudeste asiático afiliadas à Asean condenaram os testes.
O presidente norte-americano, Bill Clinton, anunciou sanções econômicas contra a Índia. Pouco antes de iniciar uma viagem para Berlim, Clinton recordou ontem em Washington uma lei de 1994, que contempla a possibilidade de fortes sanções econômicas para países que realizem testes nucleares e não pertençam ao grupo das potências atômicas, e disse estar decidido a aplicar plenamente as medidas previstas.
France Presse
NacionalismoOs jornais indianos saudaram a recuperação da auto-estima do paísO presidente norte-americano exigiu, também, que a Índia anuncie oficialmente que não fará novos testes e que aderirá ao tratado internacional sobre a proibição de provas, agora e sem condições.
O comportamento indiano ameaça não só a estabilidade na região, e que também é um desafio direto da convicção comum de toda a comunidade internacional de que a proliferação de armas nucleares tem que ser detida.
A lei de 1994 permite a Clinton congelar todas as ajudas estatais para a Índia e proibir que bancos norte-americanos lhe conceda créditos. Os Estados Unidos poderiam bloquear também as ajudas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional para o país asiático.
O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Gihar Ayub Khan, disse ontem em Islamabad que os testes nucleares realizados pela Índia, eram uma ameaça direta para a segurança de seu país.
Falando no Senado, a câmara alta do Parlamento, que suspendeu ontem seu trabalho regular para debater a situação gerada pelos testes indianos, Khan enfatizou que o Paquistão tem a capacidade de responder a qualquer ameaça.
Por sua vez, o primeiro-ministro Nawaz Sharif, declarou que o Paquistão não aceitará opinião de nenhum país na hora de decidir sobre sua resposta aos testes. O mandatário paquistanês afirmou que os testes foram incentivados por uma atitude discriminatória daquelas potências que professam seu compromisso com a não-proliferação. Estas potências fecharam deliberadamente seus olhos ante as aspirações nucleares indianas, enquanto castigavam o Paquistão por pecados não cometidos, acrescentou.
Os indianos elogiaram ontem a coalizão nacionalista do governo hindu por ter conduzido testes nucleares e dizem que a atitude pode aumentar o status da Índia na liga das nações. Sinto-me muito orgulhoso e devemos ir em frente com os testes, declarou Lina Abuja, estudante da Pune University. Sanjay Mattoo, executivo de uma empresa de finanças de Nova Délhi, afirmou: Isto é maravilhoso. As nações vizinhas achavam que estávamos fracos e este juízo errôneo está sendo esclarecido agora.
Ontem, jornais indianos apoiaram a realização dos testes nucleares, descrevendo-os como uma expressão de orgulho nacional e segurança do país. Todos elogiaram os cientistas indianos pelo sucesso nos três testes: um de fissão (bomba A), um termonuclear (bomba H) e um de baixa intensidade no deserto do Rajastão, situado a 150 km da fronteira paquistanesa. A Índia realizou os testes de anteontem 24 anos depois das explosões realizadas em maio de 1974 no deserto de Pokhran





